17 de agosto de 2015

Festival Paredes de Coura aquece motores para a 23ª edição e para glorificação do ouvido musical com Tame Impala, Allah-Las, Fuzz ou Charles Bradley

Paredes de Coura volta para a glorificação do ouvido musical com Tame Impala, Allah-Las, Fuzz ou Charles Bradley

Volta o encanto em redor da praia fluvial do Tabuão, cenário de paixões de múltiplas gerações, de mergulhos revigorantes, de encontros de devotos da cena musical alternativa e tantas, infindáveis, tão presentes, memórias inesquecíveis. Paredes de Coura é a vila do Alto Minho que consagrou um festival com o melhor do País, pelo seu anfiteatro natural, pelo protagonismo do seu cartaz, pela harmonia geral, tremendamente sedutora para o espetador habitual como para o estreante visitante. Mesmo com a saturação de festivais no calendário, Paredes de Coura é e será um marco, um pretexto, uma escapatória, uma glorificação do nosso ouvido musical. A 23ª edição acelera para o seu início, que acontece já quarta-feira, com um naipe de bandas que tanto estimula como fará delirar, percebendo-se que está praticamente assegurada como mais um grande sucesso, não só levando em conta as extraordinárias vendas de ingressos já efetuadas para um carrossel de grandes concertos entre 19 e 22 de agosto.



É, com toda a certeza, o cartaz mais refrescante e cativante dos últimos anos, reunindo nomes que, juntos, escrevem o presente e futuro da música indie e psicadélica. É um cartaz que atinge com estrondo o público mais sintonizado com as novas correntes, as novas vagas, prescindindo de dinossauros e bandas lendárias com a certeza que tem arrojo suficiente para enamorar e deliciar a plateia. Há atrevimento, há magia no ar, há música para desencadear doses colossais de farra, espreitando propostas imperdíveis que vão de Tame Impala a Allah-Las, de TV on the Radio a Charles Bradley, de Slowdive a Fuzz, de Mark Lanegan a War on Drugs, passando por bandas como Temples, White Fence, Iceage, Father John Misty, Pond, Lykke Li ou até mesmo Legendary Tigerman, o projeto de Paulo Furtado, nome incontornável na excecional e única atmosfera de Paredes de Coura, que se estreou em 1994 com os Tédio Boys e já teve honras de fecho do palco principal com Wraygunn. X-Wife e Peixe Avião serão outras bandas portuguesas em destaque nesta 23ª edição do Festival Paredes de Coura.



Discorrendo as atrações maiores, o primeiro dia marca o regresso a Portugal dos TV on the Radio, acenando aos fiéis com um novo trabalho ‘Seeds’, o primeiro após o falecimento do baixista Gerard Smith. Antes da entrada em palco dos nova-iorquinos, prevê-se um ambiente comprometido com o shoegaze dos ingleses Slowdive, renascidos nos últimos anos e contemplando a adulação do público português, bastando atentar na íntima relação estabelecida no Primavera Sound, no Porto, em 2014. Empunhando esse álbum bandeira do género shoegaze, ‘Souvlaki’, o grupo de Reading regressa a Portugal com aquele jeito de desenhar paisagens sonoras magnetizantes.

Cabeças de cartaz da segunda noite, os Tame Impala servem-se do novo álbum ‘Currents’ nesta quarta visita a Portugal, depois de terem passado por dois Super Bock Super Rock e um Optimus Alive. Kevin Parker teve a ousadia de mudar o registo da banda australiana, mascarando a inspiração psicadélica pela vertigem da pista, abraçando uma espécie de pop sintética. Presumivelmente responsáveis por grande parte da afluência à Praia do Taboão, os Tame Impala encabeçam o cartaz na noite de quinta-feira, fechando o palco principal, depois das atuações de Father John Misty, que trará a Paredes de Coura ‘I Love you, Honeybear’, trabalho pelo qual tem sido aclamado como porta-estandarte do folk, e do incendiário Legendary Tigerman. Mas não se esgota no palco principal a pujança do festival, sendo o dia 20 reflexo da qualidade do cartaz, que permitirá ver no palco secundário grupos como Pond, que partilham elementos com Tame Impala, White Fence, de Tim Presley, mente criativa permanente mergulhada na influência psicadélica dos sessentas, e Iceage, num regresso mais amadurecido a Coura. Os dinamarqueses conjugam um lado mais obscuro com outro mais fulgente, alternando revolta e harmonia nas suas guitarras.



Chegados a dia 21, já de barriga cheia por um punhado de atuações irresistíveis, há uma noite mais eclética, pedindo adaptação e compenetração. Os X-Wife abrem hostilidades, deixando caminho cimentado para a estreia absoluta dos californianos Allah-Las, embalados pelo novo disco ‘Worship the Sun’, banhado em referências dos sessentas, que vão do garage rock ao surf e preenchido por uma vibração psicadélica.
Depois deste furacão será hora de levantar o pano para ver Mark Lanegan, autor sublime de canções de folk-blues sombrias, acabado de lançar uma antologia da sua carreira a solo. O carismático músico, ex-líder dos Screaming Trees e senhor de extensas e impressionantes colaborações com Queens of the Stone Age, PJ Harvey, Isobell Campbell, constitui mais um regresso ao festival minhoto.
Momento marcante será a subida ao palco de Charles Bradley, transformado em nova estrela do soul e do r&b depois de uma longa vida sofrida, longe dos grandes palcos. O músico norte-americano fez de tudo na vida até ser encarado a sério pela sua voz arrebatadora.
A noite será fechada com o selo de qualidade dos The War on Drugs e o seu terceiro álbum de originais ‘Lost in the Dream’, aclamado pela crítica e homenageando os traços singulares de cantores como Bob Dylan e Bruce Springsteen.




Na última noite atenções postas na pop intimista da sueca Lykke Li, que granjeia inúmeros fãs por Portugal, aparecendo em Paredes de Coura para o único concerto de Verão fora do roteiro nórdico. Mas também há razões fortes para chegar mais cedo junto do palco principal, face à explosão sonora que se vislumbra e se anuncia pela presença dos britânicos Temples, que com o seu álbum ‘Sun Structures’, recheado de temas poderosos, ganharam outro estatuto na nova cena psicadélica. Pelo palco secundário vão estar os Fuzz, obstinados pela vertigem que o nome sugere com o destrutivo Ty Segall na bateria, encarnando a raiva punk e a selva garage rock com um estilo demencial em formato trio. A música despede-se de Paredes de Coura com a eletrónica dos Ratatat e com a sonoridade hipnótica e delirante, já em ritmo after hours, dos Soft Moon.

25 de junho de 2014

DERBY GIRLS & FRIENDS // CLUB GARAGE AND ROCK AND ROLL CIRCUS EM FESTA EXPLOSIVA NO ARMAZÉM DO CHÁ

Fenómeno de popularidade, graça a patins velocíssimos, que colocam uma pista ao rubro, dominada por colisões, na louca correria pelos pontos. Elas são as destemidas guerreiras, devidamente equipadas, que têm feito o Porto conhecer a glória com resultados prestigiantes no circuito Roller Derby. Vindas de Madrid de mais um confronto para o ranking mundial, as jovens portuenses estão catapultadas para serem, maioritariamente, as caras de Portugal no Europeu e Mundial, oferecendo o seu talento único às primeiras vivências de uma seleção lusa nesta modalidade em franco e explosivo crescimento.
Suportadas no seu próprio investimento para competirem a nível cada vez mais elevado, elas organizam festas, encontros e eventos de cariz variado para angariarem fundos. O Armazém do Chá receberá, assim, no sábado, 28 de Junho, uma festa com assinatura própria, carisma vasto e música para todos os gostos. Eles querem triunfar ainda este ano com a seleção no Europeu, na Bélgica, em Setembro, e no Mundial, em Dallas, em Dezembro. Sonhos que agitam a mente e viagens desejadas face a uma entrega e dedicação exemplares.
O Armazém do Chá será invadido por miúdas em patins, prontas para o choque, mas também por uma feroz festa de rock’n’roll com duas pistas em carburação máxima, numa devastação sonora, dançante e furiosa. O Bar terá em ação Xinas, Selecta Laranja e Surface num misto de sonoridades, que vão do rock ao reggae, passando pelo drum’n’bass. Do outro lado, o Club terá atmosfera aquecida pelas escolhas do Club Garage e Rock and Roll Circus, projetos irmãos que adoram disseminar o caos a afugentar sintomas de tranquilidade.






20 de junho de 2014

Reverence fecha cartaz com os enormes BLACK ANGELS



Os texanos The Black Angels foram a  banda guardada até à última pela organização do 1º Reverence Festival, a realizar a 12 e 13 de Setembro, em Valada do Ribatejo, concelho do Cartaxo. Conhecidos os nomes finais que constituem um denso cartaz de 56 bandas para 42 horas de música espalhadas por três palcos, onde predomina o melhor pysch internacional e sonoridades mais pesadas ilustradas em presenças do calibre de Electric Wizard ou Hawkwind, espera-se um evento marcante no panorama nacional, capaz de marcar a sua era e o seu espaço, aglutinando públicos variados num cenário absolutamente desarmante onde o Rio Tejo exalta a sua beleza, furando campos de cultivo e vendo nascer a Praia Fluvial do Parque de Merendas, que oferecerá o seu brilho verdejante para receber um conjunto de bandas internacionais e nacionais absolutamente irresistíveis. Estão, desde já, autorizados todos os planos para um raide maravilhoso ao Ribatejo num Setembro seguramente bem temperado e onde não faltará esse vinho tinto imensamente apreciado pela sua combinação perfeita com pratos explosivos ou bem condimentados. Este festival resulta de uma parceria assinada em boa hora pelo coletivo Cartaxo Sessions, que leva dois anos de notável programação no Centro Cultural local, e a Câmara Municipal, desejosa de cimentar na região um festival com dimensão e com poder de atração suficiente para granjear pergaminhos em poucos anos de vida. O bilhete para a totalidade do festival está à venda até final de Junho ao preço de 55 euros, passando depois disso a ter custo de 70 euros.

Os Black Angels, considerados gurus do rock psicadélico da atualidade, intimamente ligados ao começo do Austin Psych Fest, vão finalmente estrear-se em Portugal, ao fim de longa espera de tantos que os idolatram, trazendo até à Valada o 4º álbum, 'Indigo Meadow', no qual se pega com apreço, delirando com músicas que formam uma bomba sonora flamejante, que hiptoniza e seduz com leveza admirável, disseminando vibrações psicadélicas de profundo alcance. Os Black Angels deram saída ao primeiro trabalho 'Passover' em 2006, trilhando, desde então, um caminho ímpar como senhores da nova psicadélia, irradiando essa aura em álbuns como 'Directions to See a Ghost' e 'Phosphene Dream'. Foram abençoados por Roky Erickson e foram a banda de abertura durante um ano das atuações do carismático vocalista dos 13th Floor Elevators.

Partindo dos Black Angels, encontra-se no cartaz o projeto paralelo do guitarrista Christian Bland, que encabeça Christian Bland and the Revelators. De resto é impossível passar ao lado das presenças dos norte-americanos A Place to Bury Strangers, que virão apresentar o quarto álbum longa duração, já referente a 2014. Adeptos de uma conceção mais noise, o trio percorre em cada concerto influências de rock psicadélico e shoezage com contornos mais espaciais. Dos Estados Unidos, diretamente de São Francisco, onde fervilha a criação mais independente, os Asteroid#4 prometem deixar uma marca forte em Valada do Ribatejo. Promessa europeia são os italianos Sonic Jesus, a quem bastou um álbum para encantarem plateias, munindo-se de um arrojo que os leva a beberem influências em Velvet Underground e Spacemen 3, sem descuidarem o seu próprio papel na nova linha de rock psicadélico. Tamanho impacto, que fez já com que chegassem ao território sagrado da Reverberation Appreciation Society's, que os incluiu no volume 1 da Reverb Conspiracy.,,

Além dos Black Angels, A Place to Bury Strangers, Asteroid #4 e Sonic Jesus, a certeza de muitos mais concertos entusiasmantes, como Moon Duo, Ringo Deathstarr, Telescopes, Bardo Pond, Cosmic Ded, Holy Wave, White Hills, Red Fang ou ainda os controversos mais super influentes Psychic TV, não esquecendo bandas nacionais para todos os gostos: Mão Morta, Black Bombaim, Keep Razors Sharp, Born a Lion, Asimov, Bruto and the Canibals, Kilimanjaro, Dreamweapon, Murdering Tripping Blues, Black Leather ou 10.000 Russos.



Eis a lita completa de bandas, numa altura que falta alinhar as atuações por dias e por palcos:

Hawkwind, Electric Wizard, Mão Morta, Red Fang, Psychic TV, Ringo Deathstarr, Black Bombaim, Dreamweapon, Crippled Black Phoenix, Asimov, Keep Razors Sharp, Swervedriver, Sunflare, The Cosmic Dead, Killimanjaro, 10.000 Russos, White Manna, Exit Calm, The Quartet of Woah!, The Oscillation, Murdering Tripping Blues, Air Formation, The Telescopes, Spindrift, Jibóia, Naam, White Hills, The Wytches, Moon Duo, Sonic Jesus, Black Leather, François Sky & Guests, Process Of Guilt, Woods, One Of These Days and Thee Heavy Tone Colour Lab, Born A Lion, Mugstar, The Asteroid#4, Bruto And The Canibals, Graveyard, System 7, Wooden Wand, Bardo Pond, Daughters of The Sun, The Feeling of Love, Cave, Sleepy Sun, Black Angels, Miss Lava, Jabberwocky, Celestial Bums, The Rising Sun Experience e Bombus.



19 de junho de 2014

THE HORRORS são estrelas do Festival do Norte

Os ingleses The Horrors, outrora miúdos que reluziam de felicidade pelo eco e legado dos portugueses Parkinsons em Londres, tocando mais tarde com Blood Safari,  são estrelas inconfundíveis da 14ª edição do Festival do Norte, este ano transferido para a paradisíaca Ilha de Arousa e que decorrerá a 3, 4 e 5 de Julho. A jovem banda britânica, nascida em Southend, em 2005, que ainda no ano passado passou por Paredes de Coura, combinando na perfeição elementos de post-punk e revivalismo garageiro, atuará na Galiza na sexta-feira (4 de julho). O fundamento maior desta digressão passa por dar exposição ao seu quarto álbum 'Luminous', lançado no passado mês de Maio, que sucede ao aclamado Skying (2011), que siderou e empolgou fãs de todo o mundo, deixando os Horrors decididamente projetados para viagens estimulantes. A primeira das quais parece claramente firmada com a direção tomada pelo novo trabalho, carregado de arranjos electrónicos e vocacionado para fazer o público ferver de vontade de dançar, ao gosto de gente ilustre como Bobby Gillispie dos Primal Scream ou Trent Reznor dos Nine Inch Nails. Esta inclinação é apalpada no single ' I See You'. O quinteto inglês, liderado por Faris Badwan, que tem tido o dom de se transfigurar e reinventar de album para album, apresenta-se menos obscuro, assumindo traços de uma composição mais melódica, sem deixar de ter uma acutilância que transporta o espetador para uma rave-pop de excelência química. A presença dos The Horrors na Ilha de Arousa, separada por ponte e dois quilómetros de Vilagarcia de Arousa, é o apontamento rock de um cartaz mais sintonizado com sonoridades indie e pop, onde se tem especializado com distinção. Os espanhóis Lori Meyers e Russian Red são atrações no certame, no qual também se destacam os canadianos Austra e os norte-americanos The Pains of Being Pure at Heart. Na Ilha de Arousa o encanto está garantido com muita praia, atividades e espaços potenciados pela natureza numa envolvência que faz acreditar na melhor edição de sempre.




Cartaz completo do Festival do Norte:

Quinta, 3 de julho, de 2014:

Is Tropical
Digitalism
Veronica Falls
Austra
El Último Vecino
Linda Guilala

Sexta, 4 de julho, de 2014

The Horrors
Russian Red
L.A.
We Have Band
Satellite Stories
Músculo!
DJ Capo
Dj's Zona Brugal
Rafa Morcego (A Reixa)
Schulz (Milk A Corunha)

Sábado, 5 de julho, de 2014

The Pains of Being Pure at Heart
Kakkmaddafakka
Lori Meyers
Oso Leone
Wild Balbina
Dj Amable




5 de junho de 2014

KID CONGO AND THE PINK MONKEY BIRDS ( The Cramps, The Gun Club, Nick Cave and the Bad Seeds ) no ARMAZÉM DO CHÁ



O Armazém do Chá comemora 6 anos com um concerto de luxo agendado para sexta-feira, 13 de Junho. A vinda de Kid Congo & Pink Monkey Birds acrescenta carisma explosivo, vertigem roqueira nos limites, convocando toda a fauna de degenerados que se deliciaram ao som de Cramps ou Gun Club, em tempos áureos, bandas nas quais Kid Congo subiu ao céu, tocando guitarra em álbuns vitais da história do punk. Regressa ao Porto onde já tocou em 2009 na Casa da Música e no final de 2012 no mesmo Armazém do Chá. Apresenta desta vez o álbum 'Haunted Head', onde se apalpa com nitidez a chama e coerência do seu trajeto e o seu apego a um garage cru com descargas infinitas de fuzz a resultarem na perfeição e a criarem uma atmosfera descrita preciosamente como um twist pantanoso psicadélico espacial, ao som de temas próprios e alguns encontros com o seu passado ilustre em Cramps ou Gun Club. Temas como Ghost on the Highway e Sex Beat têm alimentado os seus concertos nesta nova tournée europeia.

Kid Congo and The Pink Monkey Birds é a última reencarnação de Kid Congo Powers ( Brian Tristan ), lenda viva do rock’n'roll mais sujo , selvagem e pantanoso de todos os tempos. Não é em vão, que esta figura fez parte de bandas seminais como os THE CRAMPS (Psychedelic Jungle/Smell of Female), NICK CAVE & THE BAD SEEDS e GUN CLUB. Para não falar de múltiplas colaborações com artistas do gabarito de Barry Adamson, Die Haut ou the Fall, ou mesmo do seu cargo como presidente do clube de fãs de Ramones.

Com The Pink Monkey Birds, Kid Congo volta às suas raízes, tocando a música primitiva que sempre o inspirou e criando um cocktail de garage cru, rock psicótico com quilos de fuzz e muito groove. Os seus discos são uma selva psicadélica cheia de canções vulcânicas às quais é impossível resistir sem mover o esqueleto, transportando o ouvinte a um estado hipnagógico, resultado difícil saber se tens os pés na terra ou em alguma lagoa de um planeta longínquo e desconhecido. Um delicioso estado entre o sonho e a consciência.

O prestigiante selo In the Red Records (Reigning Sound, Jay Reatard, Ty Segall ou Black Lips) encarrega-se de editar as suas músicas desde finais de última década. Agora apresenta-nos (2013) ‘Haunted Head’, o seu último álbum. Uma absoluta barbaridade de cabo a rabo !!! É, na realidade, todo um manual de twist pantanoso psicadélico espacial.

Kid Congo and The Pink Monkey Birds voltam a subir à furgoneta para pegarem fogo à estrada de meia Europa, contemplando várias datas na península ibérica e mais um regresso a Portugal, onde granjeia fãs de atuações variadas aos longos dos anos. Repete atuação no Armazém do Chá, onde tocou em Dezembro de 2012.


Para esta ocasião, Kid Congo recrutou uma formação de primeira água, incluindo Kiki Solis (Knife in the Water), Ron Miller (Up the Academy) e Marc Cisneros (Medications y Deathfix). Ou seja, um grupo impressionante em palco, que promete uma grande festa, carregada de bailes obscuros e emanações lisérgicas.

ARMAZÉM DO CHÁ, 13 DE JUNHO (BILHETES A 5 EUROS, PRÉ-VENDA 5 6 EUROS, NO DIA)





8 de maio de 2014

WILD ACTION, PSYCHOTIC REACTION: CLUB GARAGE // FINA & SEGURA // ROCK AND ROLL CIRCUS

WILD ACTION PSYCHOTIC REACTION

CLUB GARAGE // FINA & SEGURA // ROCK AND ROLL CIRCUS

ARMAZÉM DO CHÁ, DIA 10 MAIO, 00h00 / DUAS PISTAS


Uma noite com encanto particular, onde doses de alucinação surgem embrulhadas num cocktail sonoro explosivo e inaudito, capaz deixar toda uma tribo degenerada como que embriagada, atordoada, eufórica, juntando rasgo e estética apurada, um toque de sedução numa coleção de instintos selvagens e comunhão pela entrega ao desvario. É uma corrida sem paragem definida, estendida no tempo, banhada de loucura, deixando a febre crescer por dois espaços que prometem ficar a fumegar pela noite dentro, dominados por punk, garage, rhythm & blues, como por improvisos, acidentes ou caprichos. O Armazém do Chá abre as portas ao Club Garage, Fina y Segura e Rock and Roll Circus para uma festa que faça perder o norte, ignorar o amanhã, desafiar a normalidade, excomungar os académicos e louvar os infames.

Wild Action, Psychotic Reaction pode ser um sonho, um vislumbre, um filme partido em excertos magníficos, ou um álbum recheado de deslumbrantes fragmentos visuais. A música entrará nos ouvidos em forma de feitiço, penetrando na mente com estrondo, estimulando sentidos e apelando a façanhas desconcertantes, como que abençoadas pelo espírito de gente diabólica do gabarito de Screamin Jay Hawkins ou King Khan.







22 de abril de 2014

Parkinsons para ver no Porto este sábado

Os Parkinsons vão estar este sábado no Armazém do Chá, no Porto, culminando uma semana de estrada, que os levará também a Lisboa e Castelo Branco. Afonso Pinto (voz), Victor Torpedo (guitarra), Pedro Chau (baixo) e Caló (bateria) devoram o palco com a intensidade de uma corrida de Fórmula 1 e espalham um caos apaixonante, percorrendo cada tema com uma cumplicidade plena com o público, granjeando fãs absolutamente efusivos no acompanhamento de cada música. Portugal deve-lhes uma resposta à altura do reconhecimento inigualável que ostentam por Inglaterra, onde foram reis, e ainda o são, sempre que se juntam para incendiar o Dirty Water Club, onde precisamente regressam já no próximo 9 de Maio, antes de uma incursão à Noruega. Desde que se voltaram a reunir, os Parkinsons readquiriram o bichinho dos concertos com aquela febre genuína por uma ação infame e catártica em palco, sendo esta nova data no Porto uma lufada de ar fresco na monotonia reinante. Punk em estado puro, suor em estado bruto e a sensação de uma epifania assombrosa. O álbum Back to Life (2012) e o um single recentemente gravado com as músicas 'City of Nothing' e 'Some Fun' servem de mote para sentir o pulsar  furioso e inquieto daqueles que um dia, na sua maioria, foram os Tedio Boys. A noite de Parkinsons no Porto será antecedida de uma atuação dos Eskizofrénicos.


8 de abril de 2014

Mish Mash aquece pista da Lomo no sábado

"Depois de 8 anos de Club de Funk, festas em que Pedro Tenreiro incendiou pistas de dança, ao mesmo tempo que dava a conhecer autênticas pérolas da música negra norte-americana dos 60 e 70, chegou agora a vez do Mish Mash, noites em que se celebra a energia inesgotável do Rhythm'n'Soul.

Uma viagem no tempo à procura das raízes do Funk e Soul que explorou nos últimos 8 anos, onde colidem vários géneros para, a partir de 45 rotações originais, criar um menu musical único e altamente dançável".



Club Garage em noite de concerto no Armazém do Chá com outros ilustres em ação



Esta sexta-feira há Club Garage no Armazém do Chá com exaltação de alianças demoníacas, pegando nesse parceiro de profundo e adorável deboche, Xinas, autêntico monstro sagrado do rock na Invicta, cravando o seu nome em projetos variados e palpitantes. Figura hoje novamente em Fat Freddy, ressurgidos com  novo conteúdo, estando também no super elenco de Bezegol Rude Bwoy Banda. Estará na cabine ao lado de Zé Pedro (Xutos), músico que, aliás, convidou há uns anos para fazer parte do seu tributo anual a Clash e ao seu vocalista Joe Strummer, os Clash City Rockers. Antes de tudo, com as duas zonas do Armazém do Chá tomadas por festas convergentes e indomáveis, haverá um concerto, o primeiro dos recém-formados Pulha Seltzer. Atuam em casa, desejosos de exibir em palco todo o trabalho concebido desde 2012. Tocam no Punk e no pós-rock e expressam-se em português. 

Encantador ou depravado, convidativo ou incendiário, o Club Garage tem ordens pelas que se rege e no seu raio genético está gozar a fama que o precede e oferecer as melhores vibrações à pista, com muito rock'n'roll de todas as épocas em descargas desalmadas de ruído,de sujidade elementar a instrumentais arrebatadores. Estão, como tal, todos convidados para um banquete sonoro de surf, garage, psych beat, r&b, hammond grooves e outras ousadias excitantes.

26 de fevereiro de 2014

Carnaval de luxo no Armazém do Chá com concerto de Keep Razors Sharp e dj sets de A Boy Named Sue e Adolfo Luxúria Canibal


O Armazém do Chá organiza este sábado, dia 1 de Março, uma valente festa de carnaval com um concerto dos Keep Razors Sharp, que juntam um elenco de luxo numa viagem ao estilo de uma super banda e no conforto de amizades altamente consolidadas. Registem-se as presenças neste recente projeto de Afonso Rodrigues (voz e guitarra) aclamado pela sublime grandeza de Sean Riley & the Slowriders, Rai (voz e guitarra), líder dos The Poppers, Bráulio (baixo), ex-Capitão Fantasma e ainda Carlos BB, que segue nos Riding Panico. Depois de se ter juntado em Maio de 2013, o quarteto vai dando os primeiros passos, contagiando plateias de Coimbra, Leiria, Lisboa e até Cartaxo, onde abriram para Eternal Tapestry. A noite vai ter outros inegáveis pontos de interesse, estando a música defendida com categoria face às presenças de A Boy Named Sue, um habitual agitador da folia portuense, que regressa com a saudade de quem deseja deixar o Armazém a fumegar e carregado de boas vibrações, com garantia de ryhthm & blues, soul e cavalgadas psicadélicas. Expoente em qualquer palco ou lugar que pise, Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta) também fará uma aparição no Armazém do Chá com aquele seu instinto feroz, conhecimento exemplar, misturando sonoridades épicas com tendências contemporâneas.




















10 de fevereiro de 2014

Club Garage apresenta este sábado, 15 Fevereiro: Música em Pó (documentário de Eduardo Morais) e concerto de Las Aspiradoras (fuzz demencial de Toledo)

Este sábado o Club Garage abre e fecha atos no Maus Hábitos, apresentando o brilhante documentário de Eduardo Morais: Música em Pó e o concerto insano da banda espanhola Las Aspiradoras com novo álbum recém-produzido no Circo Perrotti e em estreia por Portugal.




CLUB GARAGE APRESENTA NO MAUS HÁBITOS

15 de Fevereiro

17h || Club Garage Dj Set
22h || Documentário Música em Pó, de Eduardo Morais
23h || Las Aspiradoras (Live)

Entrada 3€ a partir das 23h (só para concerto)

O Maus Hábitos cria para esta tarde/noite as pizzas Mariachi, a provar.


17h || Club Garage Dj set || Entrada Livre
Encantador ou depravado, convidativo ou incendiário, o Club Garage tem ordens pelas que se rege e no seu raio genético está gozar a fama que o precede e oferecer as melhores vibrações à pista, com muito rock'n'roll de todas as épocas em descargas desalmadas de ruído,de sujidade elementar a instrumentais arrebatadores. Estão, como tal, todos convidados para um banquete sonoro de surf, garage, psych beat, r&b, hammond grooves e outras ousadias excitantes.

https://www.facebook.com/groups/111223368900508/

22h || Documentário Música em Pó de Eduardo Morais || Entrada Livre
Documentário sobre colecionadores de vinyl

"Doze pessoas e milhares de discos. “Música em Pó” não visa enaltecer o passado, tampouco condenar a evolução musical. Aqui são retratadas histórias de alguns dos colecionadores mais ávidos de Portugal, são desvendadas algumas das mais raras preciosidades em vinyl, e são apresentados dez passos básicos para arquitetar uma colecção de discos. Totalmente realizado, produzido e captado por Eduardo Morais, este filme abordará a música pelo seu formato, pelos reflexos das suas capas, e pelas viagens dos próprios discos até ao seu proprietário final."



https://www.facebook.com/musicaempo

23h || Las Aspiradoras (Live) || Entrada 3€
Aclamados por um fuzz demencial que aplicam nas suas actuações, Las Aspiradoras são um super grupo Toledano-Manchego formados no início de 2009 com o único objetivo de perverter qualquer cenário que se preste ao seu espectáculo com um som garage punk dos sessentas como bandeira. Os seus cinco membros embarcam numa espiral de hedonismo e destruição a todo aquele que se acerca dos seus concertos. A formação está hoje reconvertida mas Las Aspiradoras continuam a desatar os seus instintos mais primitivos junto de quem decide seguir os seus passos. Dementes, eléctricos e pungentes.

https://www.facebook.com/pages/Las-Aspiradoras/202774726418710

http://tascodogarage.blogspot.pt/2014/01/las-aspiradoras-caracterizam-novo-album.html

17 de janeiro de 2014

Las Aspiradoras com um novo álbum 'Haciendo Amigos', uma bomba relógio para estremecer com o Maus Hábitos e o Carpe Diem. Curta entrevista ao Tasco do Garage...

O grupo de Toledo vai estrear-se em Portugal com datas em Fevereiro no Carpe Diem, em Santo Tirso (14 Fevereiro) e Maus Hábitos, no Porto (15 Fevereiro). Chegam já com o seu novo trabalho 'Haciendo Amigos' editado pelo selo alemão Soundflat, gravado, misturado e produzido como sempre no Circo Perroti, em Gijon. A banda está hoje formada por Diego Pérez (voz e guitarra), Juanjo Crespo (baixo), Rafael Quinto (Guitarra-fuzz), Oscar Santos (bateria) e Julia Lozano (farfisa). Depois dos brilhantes 'Ni Rastro de Polvo' com que se lançaram na cena garageira, 'Mil Puñaladas' e o single 'Malmete/Dientes' este é o quarto capítulo do seu ainda curto trajecto. De Portugal para o mundo, pretendem voltar a girar pela Europa. A força dos seus concertos, carregados de 'garaje, punk, mucho fuzz, farfisa, guitarras canallas, macarrismo' já os levou a actuações na Alemanha, Bélgica e Holanda.
Aclamados por um fuzz demencial que aplicam nas suas actuações, Las Aspiradoras são um super combo Toledano-Manchego formados no início de 2009 com o único objetivo de perverter qualquer cenário que se preste ao seu espectáculo com um som garage punk dos sessentas como bandeira. Os seus cinco membros embarcam numa espiral de hedonismo e destruição a todo aquele que se acerca dos seus concertos. A formação está hoje reconvertida mas Las Aspiradoras continuam a desatar os seus instintos mais primitivos junto de quem decide seguir os seus passos. Dementes, eléctricos e pungentes.
Aqui fica uma entrevista rápida ao Tasco do Garage que serve para abrir o apetite:
1) Quem vos ouve percebe que estão num caminho muito idêntico aos Wau y Los Arrrghs, incendiando os palcos com um garage demencial. Este é um grupo que funciona de referência na vossa mente pelo que se conhece de garage espanhol?

 Wau y los Arrrghs são uma referência de Garage a nível mundial, são amigos e apreciámos muito a direcção que tomaram com o seu novo trabalho, mas a verdade é que viemos a tomar caminhos diferentes. Eles editaram um LP mais melódico, sem perderem a sua essência de garage, e da nossa parte houve um atrevimento com uma vertente mais punk.

 2) Como é que vocês desejam apresentar o novo trabalho, que acabam de produzir?

 É uma bomba relógio, dez pedaços de garage punk em maiúsculas, canções trepidantes, riffs incisivos e uma lírica sarcástica. 'No dejamos títere con cabeza'

 3) Quais são afinal os grupos que mais vos enchem as medidas?

 Cada um dentro da banda tem os seus próprios gostos. Mas dos grupos actuais que estão a fazer música interessante podemos destacar os Acid Baby Jesus, The Ripe, Wau y los Arrrghs!, Dead Rabbits, The See See, The Legs, The Youth, Hollywood Sinners, Imperial Surferes, Phantom Keys, Fogbound e muitos mais.

16 de janeiro de 2014

Mish Mash de volta ao Armazém do Chá

Pedro Tenreiro, consagrado dj da cidade do Porto, um amante do vinil, um raro coleccionador, englobando o distinto elenco dos Sete Magníficos, é autor das festas Mish Mash no Armazém do Chá. Este sábado está prometida nova jornada de requinte. O Mish Mash foca-se na era em que as Jukebox eram rainhas. O Rhythm & Blues, nas suas mais diversas formas, constitui o ponto de partida para uma noite onde se viaja pelo Rock’n’Roll, Northern Soul, Mod Jazz, Surf, Popcorn, Tittyshakers, num apanhado de temas quentes que escaldam a pista e despertam amplas sensações. Ninguém pode ficar indiferente a um aconchego auditivo que transporta para uma atmosfera de clube com uma infindável coleção de singles, que aquecem o coração e agitam os corpos.

7 de janeiro de 2014

Big Sur Sessions apresentam Dirty Coal Train e Música em Pó

O Carpe Diem, em Santo Tirso, será esta sexta-feira cenário de festividades altamente recomendáveis a ouvidos atentos e a melómanos convictos. A organização volta a pertencer ao projeto Big Sur Sessions, que tão bem trabalha e insiste na fomentação de bons hábitos culturais pelo concelho, arquitetando concertos arrojados e outras iniciativas louváveis. Esta sexta-feira é uma combinação de atos, exaltando-se o bom gosto de Nuno Rabino e companhia. Aprecie-se o novo documentário de Eduardo Morais «Música em Pó», que junta na tela os maiores coleccionadores de vinil em Portugal, sem se preocupar com estilos, já que um coleccionador é sempre um amante de raridades e alguém que estima pérolas variadas de todas as décadas. Seguidamente ao documentário, haverá concerto dos lisboetas The Dirty Coal Train e uma promessa de garage sujo desenfreado. Uma banda que esteve recentemente no Porto a apresentar o novo álbum no Armazém do Chá com selo da Groovie Records. Terminado isto, a música será sempre de categoria maior e rotação ímpar a cargo do excelentíssimo Nunchuck, nome artístico de Eduardo Morais, lá está o realizador de Música em Pó, distinto sucessor de Meio Metro de Pedra.

30 de dezembro de 2013

Los Chavales nos Maus Hábitos em novo Rock'n'Roll Mariachi & Chili Fever

O Rock'n'Roll Mariachi & Chili Fever regressa este sábado, 4 de Janeiro nos Maus Hábitos, apresentando pela primeira vez em Portugal os galegos Los Chavales, munidos do seu novo trabalho 'Asulado', altamente elogiado e respeitador da tradição beat espanhola. «Esta é a banda que melhor conseguiu apanhar a essência do beat espanhol dos sessentas», nas palavras de Jorge Munoz Cobo, o reputadíssimo Doctor Explosion, que gravou Los Chavales no Circo Perrotti, em Gijón, onde gravam as melhores bandas de garage, beat, r&b e surf da Europa. Os Los Chavales percorrem influências de Los Salvajes, Los Gritos, Los Bravos, Los Brincos com muito apego a clássicos brasileiros e enorme brilho em palco pela devoção à estética dos sessentas. Aclamados em festivais como o Euro Yeye e Purple Weekend, esta banda de Compostela está pronta a enamorar plateias por essa Europa fora. Haverá ainda Club Garage, apontado para a tarde e para o final da noite, associado a pratadas suculentas e apuradas até ao limite, havendo pizza mariachi - Cólera - e super chili na ementa. Toda uma conjugação de prazeres divinos.

11 de dezembro de 2013

Purple Weekend e a brutal consagração dos seus 25 anos com Black Angels, Lala Brooks e Nikki Hill

A vida é bela quando um festival oferece doses de sedução estonteantes, fazendo com que a mente viaje num recreio sem fim, invariavelmente espalhado de magia. Uma diferença perceptível graças às presenças maiores de artistas do calibre de Lala Brooks, uma das integrantes das Crystals, que passaram pelas mãos de Phil Spector e da Motown, vocalista principal nesses lendários e ainda hoje fundamentais temas: 'Then He Kissed Me' ou 'Da Doo Ron Ron', que deixaram a plateia arrepiada e petrificada com a excelência da forma e pela leveza da interpretação desta diva do soul de 66 anos, um portento de simpatia, que não deixou de provar as emoções do festival pela madrugada dentro. No seu alinhamento acabou também por entrar com um brilho inesquecível 'All or Nothing' tema popularizado pelos Small Faces, que acabaria por constituir uma estreia no seu repertório ao vivo. O Purple Weekend celebrou as bodas de prata com figuras de primeiro plano variadas, amparado por um atmosfera imbatível e irresistível, recuando num deleite constante ao que era o visual londrino dos sessentas, elevando-se a um lugar de referência da cultura mod, das lendas e das esperanças do soul, do revivalismo rhythm & blues e garajeiro. Já situado desde há muito no topo das preferências de um alargado público, que viaja de Madrid, Barcelona, Astúrias e Galiza,sobretudo, mas também de Portugal, Inglaterra ou Alemanha fascinado pelas propostas de um evento marcadamente esplendoroso e poderoso. Tudo exponenciado num cartaz altamente dourado, tratado com imenso cuidado, afinco e superior requinte, cabendo grande parte da responsabilidade a Constantino e Patrícia, inexcedíveis, agilizando recursos na ligação perfeita gerada entre todos os espaços do Purple. É uma organização de excelência que cuida dos pormenores, do melhor acolhimento dos fãs, honrando ao máximo uma festa que atravessa a cidade com recorte majestoso, que fundamenta e celebriza León como epicentro de uma adorável febre musical. Não há frio suficientemente castigador, é impossível não sentir o impacto de um festival assim,de quatro noites devoradas hora a hora, concerto a concerto, música a música. Não há como o evitar, suspira-se por mais a cada segundo, acalenta-se a comunhão de uma paixão pela pista, vendo o desfilar de bandas com olhos arrebatados pela classe suprema que emana do palco. O frio Dezembro convida visitas bem agasalhadas e essa é uma marca de estilo inconfundível no espectador do espetacular Purple Weekend, que passa durante o dia pelo delicioso e charmoso Gran Café, pelo escaldante Mongogo, pelo cirúrgico Espaço Vias. E durante a noite pelo Pavilhão CHF, onde se dá de caras com senhores e senhoras ilustres da história do rock, do mais primitivo ao mais íntimo, do mais ruidoso ao mais elegante, transportando horas mais tarde a euforia e toda a energia para a OH Leon, onde se cruza todo o mundo, rasgando pista como se não houvesse amanhã. As Allnighters continuam a ter um encanto difícil de igualar em qualquer parte do mundo, obra de um conjunto de dj's sublimes em cada escolha, levando para León as melhores coleções de 45 polegadas, que tão bem aprofundam o melhor do garage, do freakbeat e do psych, como do soul ou do rhythm & blues no andar superior. Os 25 anos do Purple foram concorridos por mais de 10 000 mil pessoas, prova do sucesso readquirido nos últimos anos por um certame erguido na cidade por altura do brilho dos Flechazos. ´
A edição de 2013 juntou ao que já é padrão do festival uma aposta pelas bandas proeminentes de um universo psicadélico, casos de Black Angels e Night Beats, que vieram a León apresentar os novos álbuns, Indigo Meadow e Sonic Bloom, respetivamente, e deixar um rasto de ruído e reverb para se perpetuar que nem um eco permanente nos ouvidos mais entretidos. Depois do show tremendo dos Night Beats com o guitarrista e ensaiar incursões pelo meio da multidão e a subir uma das estruturas metálicas do palco numa manifesta epifania auditiva e psicotrópica, o melhor estaria ainda por chegar. Os Black Angels, liderados por Alex Maas e Christian Bland, munidos de todo o seu arsenal sonoro, guitarras distorcidas e imagens projectadas na retaguarda regadas de feitiço ácido, proclamaram-se reis do psicadelismo, engatando uma sucessão de temas tocados numa perfeição notável a deixar o público espanhol pregado ao solo, estarrecido de tanta admiração, perante músicas que penetravam diretamente nas veias e fluíam na mente com uma voltagem incrível tais como Don't Play With Guns, Science Killer, Telephone, You on the Run, Indigo Meadow ou Evil Things. Uma monstruosidade de espetáculo, pela positiva, que atingiu as duas horas, preenchendo de forma superlativa todos aqueles que sejam fãs de Velvet Underdround, 13th Floor Elevators ou Spacemen 3, que abriram um caminho explorado agora com uma criatividade e pujança próprias. Os Black Angels são claramente já uma instituição à parte no rock psicadélico, credenciados por quatro brilhantes álbuns e uma inspiradora colaboração em estrada e palco em 2008 com o veterano e carismático Roky Erickson. León aplaudiu perplexa esta actuação, num fecho deslumbrante de festival no Pavilhão CHF. Antes de toda esta tempestade sonora, foi com Jeff Hershey & the Heartbeats que a festa começou, indo mais aos gosto dos amantes do rhythm & blues e rockabilly, rendidos à aceleração de um intérprete, em autêntica combustão, espalhafatoso e imparável, correndo e saltando e procurando sempre o contacto com a audiência. Semeou a loucura dentro e fora do palco, num espectáculo com raízes inegáveis em Jon Spencer & Blues Explosion, se bem que Jeff Hershey tenha tido a tentação exagerada de parar a rotação da banda em nome de trocas de impressões com o público.
Para a primeira noite, a capital leonesa vestiu-se de gala para receber a mítica Lala Brooks, que subiu ao palco na companhia dos galegos Allnight Workers e outros músicos dotados de mestria como o seu filho adotivo Yoshida, no órgão, alegadamente a mente criativa em todos os arranjos. Foi puro encanto, pura lição de elegância e vitalidade, tudo isso culminando numa excepcional visão de uma entrega apaixonante de Lala. O público esse já estava bem quentinho, após um concerto de TT Syndicate. Os portuenses libertaram o seu fragor dos sessentas e uma alma negra elevou-se durante uns 40 minutos, contagiando uma plateia ainda pouco numerosa mas já devota ao que tinha pela frente. Versões excitantes como o Fever tornaram a actuação mais suculenta embora o êxtase tenha ficado patente em No Money e Last Night, os dois temas que moram no primeiro 45 dos TT Syndicate, grupo que junta elementos dos Mean Devils, Thee Chargers ou Tornados, além de uma valiosa secção de sopro. Pelo meio apareceram em palco os The Sloths para um concerto todo ele transformado numa caixinha de surpresas. O Makin Love, um dos mais infernais temas das compilações das bandas americanas garajeiras dos sessentas, Pebbles, gerava toda a curiosidade, reduzida a migalhas face ao repertório de números não convencionais trazidos para Espanha pelo vocalista, que se vestiu de padre, imitou rituais satânicos, fez-se passar por ilusionista e percorreu o palco como louco, usando joalheiras para se fazer deslizar tal e qual um rock star mergulhado numa fita cómica. Os Sloths até entreteram numa perspetiva puramente non sense, já que musicalmente se tornaram desesperantes, extremamente desgarrados, faltando notória ligação entre o vocalista, espante-se quem quiser, também realizador de Sexta-Feira 13 (capítulo 6) e o resto da banda. Uma mancha num primeiro dia em que também pela tarde a música primou pela qualidade, a cargo dos galegos Fogbound, que deixaram pistas promissoras das suas competências mas também dos dinamarqueses The Youth. Impressionante a energia deste quarteto com expressões e movimentos peculiares, guiado por um frenesim ruidoso a fazer lembrar Masonics e tudo o que deriva de Billy Childish.
Na sexta-feira, os Limboos encheram o Gran Café logo às 15 horas e provaram ter bagagem mais que suficiente para merecer lugar no palco principal. O novo grupo galego formado por Marky e Roi, ambos dos reputados Phantom Keys, apresentou um registo de categoria ímpar de rhythm & blues, deliciando a atenta assistência, que largou cedo o conforto da cama preferindo mais um prazeroso serão musical, pese as horas impróprias até que duram as allnighters. Pela noite, haviam atracções distintas e muito distintas provaram ser. A voz colossal de Nikki Hill, talento emergente do soul, fez valer a sua fibra em palco, tributando lendas que a inspiraram de Chuck Berry a Rolling Stones, passando por Ottis Redding. Um desfile de classe assombroso de uma miúda com arcaboiço vocal para conquistar o mundo. A amostra do seu primeiro trabalho transposta para ao vivo é simplesmente irrepreensível com um indelével toque de sedução. Nikki Hill agarrou com o seu esplendor o público do Purple Weekend com total facilidade e simpatia desarmante, ao ponto dos Decibels, banda americana de power-pop, responsabilizada pelo fecho da noite, não ter em momento algum disfarçado o desconforto por uma debandada assinalável de gente. Os suecos The Most, primeiros da noite, cumpriram e deixaram um rasto de satisfação em quem se apressou por vê-los. Pelo Espaço Vias, sede do festival, albergando um mercado de roupa e outro de discos,em vinil, passaram por cada tarde duas bandas e foi lá que encerrou domingo o Purple Weeekend 2013 com os austríacos The Attention e com a banda local Karma Gurus. Mas também no sábado se viu muita qualidade, sobretudo à conta de outra banda da Áustria: Bj's New Breed. Este é um projecto paralelo dos Jaybirds, figuras incontornáveis do freakbeat europeu e já amigos de longa data deste grande festival. O Purple Weekend não teve tempos mortos, teve actividade, toda ela valiosíssima, para um desfrute intenso. Entre a rota Gran Café, Espaço Vias, Mongogo, Pavilhão CHF e Oh León se percebe a dimensão de um festival que mascara a cidade ao seu elevadíssimo bom gosto.

28 de novembro de 2013

Barreiro Rocks é festa e ponto final

Uma cidade enérgica com uma energia que contagia e vicia. O Barreiro Rocks é a explosão de uma genuína sedução pelo rock'n'roll eternamente enamorado pela interação com o público, pela selvajaria em palco e fora dele. Onde reina a comunhão por uma festa única. Volta a realizar-se em 2013, mas numa só noite, que se espera apoteótica. Dá pena que seja só uma mas fica a certeza da condensação de adrenalina, de vertigem insana, de perdição completa. Será este sábado, 30 de Novembro, no Grupo Desportivo Ferroviários. A ação vai começar com a atuação de Fast Eddie Nelson, pelas 21h30. O cartaz é quase cem por cento português, não fosse a contratação à última hora de Mark Sultan, o parceiro de King Khan na banda King Khan & BBQ Show, que assim embeleza o elenco do Barreiro Rocks, que terá ainda concertos de Xungaria do Céu, Nicotine's Orchestra, um cliente habitual do certame, Victor Torpedo Show, um projeto recente de Vitinho (Tédio Boys e Parkinsons), pela primeira vez a solo, que nos remete para a afeição ao dub e ao ska, e, finalmente, Murdering Tripping Blues. Maria P encerra as festividades com a seleção criteriosa de psych, freakbeat e garage. O bilhete está à preço altamente convidativo, 10 euros. Outra atração será a estreia nacional do documentário 'Música em Pó' de Eduardo Morais, realizador de 'Meio Metro de Pedra', que desta feita foca o seu olhar nos maiores coleccionadores de vinil do país, sem quaisquer censura de estilo. Tudo o resto é folia destravada, correria até ao petisco e um regresso a casa cheio, tão cheio de boas histórias.

19 de novembro de 2013

Death By Unga Bunga e A Boy Named Sue de regresso ao Armazém do Chá

De regresso a Portugal com datas em Lisboa, Coimbra e Porto, é já este sábado que os noruegueses Death By Unga Bunga regressam ao palco do Armazém do Chá, onde já deixaram rasto de uma festa vibrante, graças ao seu garage inspirado nas bandas lendárias dos sessentas e de vocação mais cavernosa. A banda nórdica, munida de vestimentas e instrumentos marcadamente vintage, está a apresentar o seu novo álbum You're an Animal por toda a Península Ibérica. DEATH BY UNGA BUNGA Apesar de ser um quinteto bastante jovem, ao longo dos últimos anos conseguiu conquistar o seu espaço. Centenas de intensos concertos e o álbum de estreia, Juvenile Jungle (2010), foram o suficiente para despertarem a curiosidade do público e fazer virar as atenções para a banda oriunda de Moss, Noruega. Os Death By Unga Bunga têm a música e cultura dos anos 60 como a sua maior influência. Chegam a Portugal com novo álbum, “You’re na animal”, editado em Setembro deste ano. DJ A BOY NAMED SUE Os seus sets caracterizam-se por uma forte vertente rock 'n' roll, nos quais visita sonoridades soul, funk, rhythm and blues, garage e punk rock ou new wave, uma espécie de máquina do tempo que cria laços entre os grandes clássicos e as novas tendências da música contemporânea. Playlists ou sets pré-definidos não têm espaço neste universo caracterizado por ambiestes dançaveis e festivos, intensos e imprevisíveis, recheados de hits do passado e do presente. Sinal dos tempos ou desígnio dos Deuses, A Boy Named Sue baralha e volta a dar a História da Música Popular, sem quebras de ritmo nem tiros no escuro, como só um verdadeiro mestre de cerimónias é capaz.

12 de novembro de 2013

Club Garage estreia-se nos Maus Hábitos

Rock'Roll Mariachi & Chili Fever - com Club Garage a partir das 17 horas e exibição do filme Decima Vittima, de Elio Petri com Marcelo Mastroianni, Ursula Andress e Elsa Martinelli, a partir das 21h30. Rock'n'Roll Mariachi & Chili Fever começa sábado no Maus Hábitos e em futuras datas a coisa vai ganhar brilho com concertos. Para já temos o Club Garage associado a pratadas suculentas e apuradas até ao limite, havendo pizza mariachi e super chili na ementa. E para que não vos falte nada, conforto, delírio e acomodação ao espaço haverá a exibição de um filme ao início da noite. A música a cargo de Vinnie Jones e Mojo Hannah estará omnipresente rasgando todas as fronteiras e convocando o espírito de Screamin Jay Hawkins, Little Willie John, La Lupe, não esquecendo cavalgadas psicadélicas inebriantes e autênticos furacões garajeiros. Agarrem-se à pista logo à tardinha, a partir das 17 horas, e não arredem pé em momento algum. Chega uma festa nova, absolutamente recheada de tentações. O paladar mexicano estará a degustação do freguês com a estreia de uma pizza divinal apresentada pela casa. A glória dos sessentas celebra-se tarde e noite carregando o festim com psicadelismo, exotismo e todo o desvario bandas mais obscuras, insanas e selvagens de que há memória, retratadas brilhantemente nas compilações dos Nuggets, Back from the Grave, Teenage Shutdown ou Pebbles. O deleite visual está assegurado pela exibição de um filme icónico da época, pleno de arrojo futurista. «Num futuro próximo, as guerras são evitadas com a oportunidade dada a pessoas com índole violenta de matar a outros num jogo de vida ou morte chamado 'A Grande Caçada'. A Caçada é a forma de entrenimento mais popular do mundo e atrai todo tipo de pessoas em busca de fama e fortuna. Ele é disputado em dez rodadas para cada competidor, cinco como caçador e cinco como vítima. Quem conseguir chegar ao fim e liquidar seu décimo adversário, torna-se extremamente rico, famoso e se aposenta.

7 de novembro de 2013

Smoggers em data com Dirty Coal Train

Numa organização da Chaputa Records, dois concertos à maneira no Armazém do Chá, este sábado: Dirty Coal Train (Lisboa) e The Smoggers (Sevilha). Garage na ementa e também na mente dos dj's de serviço: Esgar Acelerado e Themoteo Suspiro.