2 de fevereiro de 2010

Concertos em piso de Compostela

Sirvo-me deste artigo para homenagear a ideia de um antigo colega de piso em Santiago de Compostela. E, em tempos, o sotão que tínhamos na nossa casa também tinha grande potencial, mas ficamos pelas farras matinais. Grande Felix...que fez de um apartamento de 12 metros quadrados um sala de concertos uma vez ao mês. Já passaram por lá os Samesugas. Fantástico, inovador, encorajador...Habitacion de Felucas a bombar.



no El Pais

Todos los grupos quieren tocar aquí. Pero esto no es el auditorio del Monte do Gozo, ni son los conciertos del Xacobeo. No hay reventa, ni aglomeraciones. Aunque lo de los apelotonamientos sería más fácil, porque las actuaciones se celebran en una habitación de 12 metros cuadrados. El nombre que reza en la puerta de entrada es ya un referente para muchas bandas de rock de la comarca de Santiago y del resto de Galicia: La Habitación de Felucas.

El propietario de la concurrida habitación es Félix Casteleiro, un ferrolano licenciado en filosofía y magisterio que, cansado de opositar a celador del Sergas, decidió tomarse las cosas con más calma, y puso en marcha una idea tan disparatada como original: invitar a grupos a tocar en su propio dormitorio. Y además dejar constancia del evento grabando un videoclip y colgándolo en Internet. "Nos aburríamos, y decidimos montar algo para activar la escena musical, así que se nos ocurrió esto", explica Casteleiro, que por las noches trabaja sirviendo copas en el bar A Reixa, su centro habitual de operaciones musicales.

Por su casa han pasado grupos de la escena compostelana como Samesugas, Malandrómeda, Novedades Carmiña o Los Chavales, o bandas viguesas como Indómitos. Todos graban un tema y lo cuelgan en la web opachavales.com, un espacio que comparte con el pintor Denís Estévez y con Armando Guerreiro, que realiza los vídeos. Con ambos empezó a darle vueltas a esta idea, y acordaron repartirse las secciones. Cada uno cuelga sus cosas en esta web, Denís sus pinturas, y Armando sus vídeos y sus escritos, pero todos ayudan a montar los conciertos. "Se trata de sacar a flote las inquietudes que tenemos, y mover a los amigos. Vienen 10 o 12 colegas, traemos empanadas y birras, y quedamos una vez al mes", explica sobre la dinámica de producción.

El espacio es sencillo, una habitación que desemboca en un salón más amplio en donde va instalada la mesa de sonido y la cámara de grabación. A veces hay algún inquilino en el sofá, recién llegado a casa después de una noche de farra, pero eso no es problema, porque en breve se incorporará también al minifestival. Parece increíble que en una estancia tan pequeña hayan tocado bandas formadas por hasta cuatro músicos, pero Félix desvela el secreto: la habitación todavía se puede ampliar un poco más. "Es que hay un retrete al fondo, y aquí ganamos mucho espacio, sentando al batería cerca de la taza del váter", explica abriendo la puerta con naturalidad para ver el anexo del baterista. Desde luego que, gracias al añadido del inodoro, la provisional sala de conciertos rentabiliza mucho más el espacio, pero Casteleiro explica con honestidad que la idea no es nueva. "Todo nació cuando veíamos The Young Ones, la serie que la TVG emitió traducida como Os Novos, y en la que tenían un váter en el que los grupos daban conciertos".

En La Habitación de Felucas hay lista de espera para tocar. Cerca de una decena de grupos han cursado su petición, entre ellos algún histórico del rock gallego que ya se ha puesto en contacto con él. Pero Felucas tiene claro que en su casa él manda y programa. "Queremos que vengan grupos con los que vibremos, bandas que nos haga ilusión traer. Hay cola para tocar, pero aquí no actúa cualquiera, porque tampoco hay que olvidar que es mi habitación, donde yo duermo a diario, y vendrán sólo grupos que me gusten", matiza el ocupante del dormitorio.

Hace tres meses que empezó a colgar los conciertos en la web, que ya ha rebasado las 3.000 visitas, y por la que comienzan a interesarse músicos de otros países, como EE UU, Inglaterra u Holanda, con los que Felucas mantiene relación. El próximo 14 de febrero, la sala Nasa acogerá una fiesta con la intención de recaudar dinero para los grupos, y editar singles con los temas grabados en la habitación.

En frente hay algo parecido a una posada, por donde pasan turistas de diferentes nacionalidades. "Una vez entró un alemán despistado que se confundió de piso, y se quedó encantado al concierto", comenta Felucas. Si hubiese aprobado las oposiciones, seguro que el Sergas habría ganado un buen celador, pero la escena musical perdería un activista original. Y sobre todo, una habitación muy divertida. "Si los conciertos van bien, igual tenemos que pedirle pasta al Xacobeo", bromea, mientras llega la hora de volver a hacer su turno en el bar.

A Jigsaw em digressão europeia


Desde Coimbra para a Europa,os A Jigsaw estão prestes a percorrer vários países, dando exposição ao segundo álbum de originais. 'Like the Wolf', lançado em 2009, é o sucessor de 'Letters from the Boatman' que segue na bagagem por essa estrada fora. O grupo de Coimbra, agora transformado em quarteto, todos multi-instrumentistas, tem sabido cativar bastante o público português graças a uma música incrivelmente bela que resuta em actuações intimistas, perfumadas por uma harmonia arrepiante e abrilhantada por requintes criativos. Reforçados por uma colaboração sedutora com a americana Becky Lee no tema 'Return to Me'e por uma eleição da revista holandesa Heaven Magazine que os considerou um dos projectos mais valorosos no indie/folk à escala internacional, os A Jigsaw vão iniciar em Fevereiro uma digressão que os vai levar a Itália, França, Suiça, Alemanha. Antes, e muito brevemente, tocam em Portugal no Mercado Negro em Aveiro (dia 5, sexta-feira), Arte à Parte em Coimbra (dia 6, sábado) e na Fnac Braga (dia 7, domingo). Datas que ficam desde já a merecer a sua assistência...

http://www.myspace.com/ajigsaw

SAVOY - DRINKS AND MUSIC

Na beleza paisagística rural das Astúrias, dentro de uma cidade sedutora como Gijón, podem encontrar-se dois espaços magníficos, que pertencem à mesma gestão. Savoy Club e Savoy Drinks and Music são dois espaços centrais na cidade, brutais no conteúdo e na excelência da oferta. Respira-se música, da boa, desfruta-se de um ambiente óptimo e aprecia-se uma decoração imbatível em termos de referências da música de todas as épocas. As paredes estão coloridas por posters, fotografias, cartazes, ilustrativos de nomes cimeiros do blues, soul, jazz. O Savoy Club é um local com mais de 20 anos de existência e que logo se destaca por um comprido balcão, bem ao género de grande bares americanos, onde se pode ouvir do country ao swing, passando pelo blues e jazz. Funciona todos os dias da semana entre as 19h e 3h30, estendendo-se ao fim-de-semana até às 5h30. Bem mais central fica a sala de concertos - Savoy Drinks and Music - fundada em 2006 e imagem de comodidade e requinte para verdadeiros apreciadores de música ao vivo. Um fenómeno, um tesouro inconfundível, onde os concertos são uma marca inestimável. Festas longas que se concentram ao fim-de-semana e podem ir até perto das 7 da manhã. Conhecer as Astúrias é obrigatório, visitar Gijón uma tentação irrecusável e, nesse cenário, dar um salto a qualquer um dos espaços citados será elementar.









Heavy Trash no Freakland


Mais um grande festival em terras espanholas. Ponferrada, cidade localizada na região do Bierzo entre Galiza e a província de Leon, estando a meio caminho entre Ourense e Leon, vai receber a nona edição do Freakland, um evento que proporciona concertos selváticos e bombásticos para uma audiência devota e inflamada. Entre a Sala La Vaca e o Cocodrillo Negro vão estar em palco variadíssimas bandas, repartidas por três noites, de 1 a 4 Abril. Restam dois meses para a nona edição do Freakland, que tem cartaz definitivo e uma grande atracção chamada Heavy Trash, o grupo de Jon Spencer e Matt Verta-Ray, que toca logo na primeira noite. Rockabilly, Garage, Punk alimentam em fartura o festival, que também oferecerá actuações dos ingleses Louie and the Louies e os The Godfathers. Os galegos Los Justicieros vão entrar igualmente em cena, tal como os catalães The Nu-Niles com o seu estimulante rockabilly. Outras bandas convocadas são oriundas dos países nórdicos, tal como os noruegueses Twistaroos e os finlandeses Cosh Boys.

Aqui fica o alinhamento do cartaz. O primeiro concerto de cada noite tem lugar no Cocodrillo Negro, seguindo-se o resto das actuações no La Vaca. O acesso a cada dia de festival custa 15 euros, enquanto o preço total é de 40 euros.

QUINTA 1 DE ABRIL

Acapulco Gold Diggers (Vitoria)

Heavy Trash (USA)

Chris Casello Trio (USA)

The Nu-Niles (Barcelona) SEXTA

2 DE ABRIL

Los Justicieros (Coruña)

The Kongsmen (Madrid)

Cosh Boys (Finlandia)

Louie and the Louies (Reino Unido)

SÁBADO 3 DE ABRIL

Las Aspiradoras (Toledo)

Cancerberos (Barcelona)

Twistaroos (Noruega)

The Godfathers (Reino Unido)

1 de fevereiro de 2010

60' Beat Italiano


Uma compilação fenomenal e extensa na qual entram os melhores grupos garage italianos da década de 60...Guitarras afiadas e muito fuzz.Abre com o notável Crudele, tema de I Bisonti.

HI RISERS em Compostela


A Sala Nasa acolhe na próxima terça-feira, dia 9 Fevereiro, um concerto que se espera explosivo dos Hi-Risers, grandíssima banda americana que ao longo de 20 anos de carreira soube cozinhar uma exemplar combinação de rockabily com garage. Em digressão por Espanha, na companhia de Roy Loney & Senor No, este trio visita a Galiza e Compostela já no próximo dia 9.

Galegos tributam música negra


Constan Chao e Roi Phantom, também guitarrista dos Phantom Keys, vão estar ao leme de uma bela noite temática no compostelano 'Embora'. A 18 de Fevereiro, os dois vão tributar a melhor música negra feita ao longo dos anos, especialmente soul, funk e rock'n'roll. 'Guilottine' assim intitulam uma festa, que será animada ao som puro do vinil e com o espírito rebelde dos 50's e 60's.

One Man Bands no regresso de Rodas


Na senda de boas noites de One Man Bands, o Armazém do Chá tem uma imperdível já sexta-feira, dia 5 Fevereiro. O cabeça de cartaz vem do Brasil, pátria do fantástico Lendário Chucrobilly Man. O palco vai ser desta vez pequeno para mais um homem orquestra de nome artístico Chuck Violence & His Oneman Band. Bateria, guitarra eléctrica, kazoo e megafone formam o manancial instrumental do brasileiro em palco, que junta nas suas interpretações dose substancial de punk, blues e garage rock e um genuíno aroma soul. A mesma noite reserva ainda uma actuação do duo Teenage Moonlight Borderliners. Saúda-se depois o regresso de Dj Rodas, lado a lado com Astrokid.
Convidativa é também a noite seguinte, dia 6, com a presença no bar de Somália - Dj A Boy Named Sue - encarregado de imprimir mais uma jornada de alta rotação de rock'n'roll com epicentro no blues.

31 de janeiro de 2010

Tributo a Cramps e homenagem a Lux Interior



Esta quinta-feira, 4 de Fevereiro, no Armazém do Chá, um tributo aos Cramps, atrevo-me a dizer a melhor banda do mundo, que não faz muito tempo visitou Portugal com uma presença em Paredes de Coura. Uma homenagem que vem honrar o vasto legado musical deixado pelos Cramps numa carreira ímpar na música de mais de trinta anos, que fez deliciar os fãs com uma atitude em palco visceral e despida de pudor. Lux Interior e Poison Ivy foram a cara e alma dos Cramps e do psychobilly. Um ano após o falecimento do enorme vocalista dos Cramps, desaparecido com 62 anos, quatro amigos do Porto estão aí para prestar o devido reconhecimento. A não perder no Armazém do Chá uma viagem ao universo musical e visual dos Cramps, segundo os «The Crabs».

Erick Lee Purkhiser ou melhor Lux Interior, um dos melhores performers que existiu dessa forma arte absurda que é o Rock’N’Roll morreu há 1 ano. Com ele morreu uma das bandas que mais contribuiu para o imaginário do género, uma banda que sem querer criou um sub-género (o psychobilly) sendo muito maior que as fronteiras desse sub-género – THE CRAMPS.
A banda foi fruto do encontro de Erick com Kristy Wallace (também conhecida como Poison Ivy) que se conheceram na primeira metade da década de 70 na Califórnia. Depois de muita conspiração e muitos ácidos rumaram para Nova Iorque, onde a banda ganha projecção integrada na efervescente cena associada a clubes como o C.B.G.B.’s e o Max Kansas City que fez despoletar movimento punk antes dos ingleses saberem o que isso era. A sua música era uma mescla marada de rockabilly, psychadelia, surf e garage dos 60´s; Lux Interior um Frankenstein bizarro que rugia como um lobisomem, encharcando as suas performances psicóticas em vinho tinto; The Cramps uma banda com um imaginário único construído com voodoo, humor negro, horror kitsch de série B e sexo perverso.
Com elementos a entrarem e a saírem, Lux e Poison Ivy mantêm os Cramps em actividade mais de 30 anos, gravam 13 álbuns de originais e mantêm um nível de qualidade invejável ao longo desse tempo…até ao fim. Lux Interior morre em 2009 ao 62 anos (para quem os viu nos últimos anos ao vivo será difícil acreditar que o homem tinha essa idade)
Com a impossibilidade de termos THE CRAMPS a actuar no primeiro aniversário da morte de Lux Interior teremos THE CRABS – oferecido por 4 prostitutos com provas dadas na má vida: Júlio Verme (ex-Cabeças de Gado), André Cruz (Sizo), Nuno Silva (Os Tornados) e Ivo Guimarães (ex-Alley Kings). O som crampesco durante a noite estará a cargo dos C.B.G.B.´s (também conhecidos como Cruzes, Bentania, Guimas e Bareja). No Armazém Do Chá no dia 4 de Fevereiro

28 de janeiro de 2010

Mais uma de Just Honey a fechar o mês

Ora ora, a dj mais rockabilly do Porto lado a lado com o dj mais oitentas a deixar pistas de uma noite satisfatoriamente desgovernada na condução de estilos, desconcertante mas palpitante. DJ Just Honey e DJ Zezé vão fazer a festa em conjunto sábado (30) no Rendez Vous...Não faço prognósticos mas conto marcar presença...Façam o mesmo.

SUGESTÃO PARA ESTA NOITE - OS TORNADOS


Surf rock português de qualidade esta noite (sexta-feira) no Armazém do Chá...ao som de temas que sugerem uns bons passos de dança...Atentem no Catraia e noutros pedaços musicais bem conseguidos. Os Tornados - antigo Conjunto Contrabando - estão aí para seduzir a audiência. Logo a seguir as ondas sonoras pertencem aos Sete Magníficos...

Rua do Almada renova comércio e recupera alma



Uma revolução com três anos representa a história mais recente da Rua do Almada, situada na baixa da cidade do Porto, invadida no bom sentido do termo por uma panóplia de lojas alternativas, tão diversas quanto complementares, mas, acima de tudo, de cariz absolutamente inovador. A rua do Almada vive hoje com uma imagem renovada, especialmente nos novos públicos que chamou, mediante um conjunto de espaços directamente ligados às correntes artísticas que vieram redespertar um comércio mais específico. O aparecimento de várias lojas num reduzido espaço temporal projectou a Rua do Almada e transformou-a numa zona acentuadamente apetecível para os jovens.
Vestuário, música, ou livros são artigos que podem ser facilmente encontrados em lojas como a Louie Louie, Lost Underground, Retro Paradise, Zona 6 ou Maria vai com as Outras, para não falar também do 555, que funciona mais como lugar de regular intervenção cultural. A Rua do Almada convida à curiosidade, e a perdição por o mais raro vinil ou por uma determinada peça de vestuário vintage constituem exemplos bem comuns de todos os que cederam aos encantos desta importante artéria do centro do Porto, bem necessitada, contudo, de obras de requalificação, que a Câmara Municipal vai tardando em constatar.



Reposta alma no Almada, abriram-se outras razões de apelo à circulação na rua, e os tradicionais estabelecimentos de ferragens foram ultrapassados por lojas abertas a novas tendências, que abarcam a música, a roupa e até mesmo os livros e o artesanato. Espaços múltiplos irromperam nos últimos três anos pela Rua do Almada, e fizeram atrair atenção geral, em particular dos mais novos, dos estudantes ou simples curiosos, e também dos turistas, com relevo para os espanhóis, que não demoraram muito a apegar-se à variedade de lojas por aí disseminadas. Os discos são a mais forte atracção presente na nova Rua do Almada, e uma vasta colecção e vinis é imagem de marca de locais como Louie Louie, Lost Underground, Zona 6 e a Retroparadise. E todos apresentam perspectivas variadas na propagação do seu comércio, o que tem feito notar uma admirável onda de solidariedade e apoio entre a globalidade dos espaços.

«O facto da rua estar tão bem composta tem ajudado bastante, e no meu entender tem sido bom para toda a gente. Está em causa uma concorrência saudável e até deveriam aparecer mais espaços. Quem visita uma loja, acaba por visitar as outras, particularmente ao sábado, que é o dia mais concorrido, com muitos turistas, especialmente galegos», refere Rui Quintela, proprietário da Louie Louie, visão claramente comum a outros responsáveis.

«As lojas vão apoiando-se em termos de material, e o facto de tudo estar concentrado nesta rua tem sido positivo para todos», destaca Óscar Pinho, da Lost Underground.

E como foi possível revitalizar uma degradada e votada ao abandono Rua do Almada? Em abono da verdade e olhando a muito dos exemplos verificados, esse esforço de relançamento surgiu mesmo dos próprios moradores, numa importante maioria retratada em jovens com fortes e interessantes motivações artísticas.

«Moro aqui há sete anos, e antes não havia rigorosamente nada. Hoje boa parte do meio artístico do Porto instalou-se nesta rua e as coisas foram surgindo. Somos quase todos conhecidos e amigos», assinala Mariana Faria, que gere com mais um sócio a Zona 6.

Este foi, então, o ponto de partida na construção de um espectacular fenómeno de dinamização desta zona específica da Baixa do Porto, processo que ficou depois mais facilitado face à incrível diferenciação no valor da rendas praticadas em todo o centro da cidade. Os preços convidativos da Rua do Almada funcionaram como derradeiro impulso ao surgimento de estabelecimentos alternativos, e a abertura de lojas tem-se sucedido deste 2003. A Retroparadise transferiu-se para lá em 2003, logo depois apareceu a Louie Louie, e no ano passado o boom no Almada trouxe a Zona 6, a Maria vai com as Outras e a Lost Underground. Todos os quantos que estão hoje instalados no Almada convergem também na ideia de ser possível fazer crescer ainda mais esta tendência de afirmação da rua no centro da cidade, enquanto pólo aglutinador de múltiplos interesses artísticos, culturais e turísticos. Nesse sentido, urgem exactamente um conjunto de obras de reabilitação de lugares especialmente ultrapassados com os anos, bem como simples mas regulares operações de limpeza dos passeios, isto com a finalidade de satisfazer e estimular a circulação na Rua do Almada.

«É pena que vá faltando vontade política para reavivar a baixa do Porto», critica Óscar Pinho, numa ideia que encontra total sintonia de Ana Caeiro, uma das três sócias da Maria vai com as Outras.

«Existe muita coisa por ser melhorada na Rua do Almada, que tinha obrigatoriamente que estar mais limpa. Nem sequer existe um serviço de recolha de lixo regular. Sabendo que este é hoje um lugar com potencial turístico na baixa do Porto, só se compreendem estas carências por desinteresse de quem é autoridade na cidade».

Registos dos espaços mencionados no artigo:

Louie Louie


Esta loja nasceu da iniciativa de Rui Quintela, que juntou à Louie Louie de Braga uma outra no Porto, alojando-a na Rua do Almada em Março de 2004. As apostas preferenciais são os vinis e os cd’s usados, não tendo a loja grandes restrições em termos de géneros musicais. O carácter ecléctico está bem presente na distribuição de todos os artigos pelo espaço da Louie Louie, desde o rock ao metal, do pop ao soul, e do funk ao ska. O indie/rock é, porventura, o estilo que recolhe maior procura dos clientes habituais da loja. Dvd’s de todo o género, a preços simpáticos, também podem ser adquiridos. O vasto acumulado de cd’s usados constitui, no entanto, o ponto mais forte na capacidade de oferta da Louie Louie, tratando-se de uma das mais completas fontes de recurso sedeada no Porto para aquisição de material em segunda mão.

Lost Underground


Espaço inaugurado por Óscar Pinho em Julho de 2006, juntamente com a sua companheira Yolanda. Após 10 anos como sócio na Piranha, Óscar, baixista dos Motornoise, um dos grupos mais carismáticos do punk portuense, preferiu montar o seu próprio negócio, e encontrou as condições ideais à sua implementação na Rua do Almada. Na Lost Underground já é visível um maior direccionamento das apostas a géneros mais específicos. Sobressai, sobretudo, a qualidade da secção música experimental e jazz, e algumas apostas de cariz mais específico, como uma zona apenas dedicada ao stoner rock. Os vinis são outra atracção no interior da Lost Undergroud, mas é o próprio responsável, que reconhece a maior gama de oferta da Louie Louie e Retroparadise. Com aspecto de novidade quanto à variedade de propostas encontradas no Almada, destaca-se a introdução da venda de t-shirts de importantes bandas internacionais, e a disponibilização de revistas de referência no âmbito da música. Mais recentemente, a Lost Underground passou a receber concertos ao fim-de-semana, ao final da tarde, aproveitando nomeadamente a passagem de algumas bandas internacionais pela cidade do Porto.

Zona 6


A Zona 6 estabelece-se na Rua do Almada em Março de 2006, trazendo consigo um conceito inovador, sendo uma das raras lojas no país a gravar música em formato vinil por unidade. Para esse efeito, apresenta-se com um estúdio muito bem equipado, que vai correspondendo a preceito a todos os pedidos. Paralelamente, e por tendência natural dos seus responsáveis, a Zona 6 funciona também como espaço dedicado à produção musical, movendo-se, nomeadamente, dentro da música electrónica, hip-hop ou reggae. Fora destas áreas, a loja em si, embora de dimensão reduzida, aposta, sobretudo, na venda de discos (formato cd ou vinil) respeitando géneros para os quais está especialmente vocacionada, casos do drum’n’bass, breakbeat, dj tools, reggae, hip-hop, dub ou funk. Na Zona 6 é ainda possível encontrar todo o tipo de acessórios para dj, equipamento áudio para dj’s e músicos, ou até mesmo instrumentos musicais. Por outro lado, um pouco de forma a dar continuidade ao seu trabalho técnico de consolidação da qualidades de muitos projectos musicais, os elementos que gerem a Zona 6 estão ainda ligados à produção de eventos, que tanto podem realizar-se no âmbito da designada world music, como nas diversas vertentes da música electrónica.

Maria Vai com as Outras


Mesmo diante da Zona 6, situa-se a Maria vai com as Outras, um espaço que assume um cariz diferente, simultaneamente comercial e cultural, dedicado a artigos de autor e peças de artesanato. Uma oferta complementar marca a existência deste lugar, inaugurado em Abril 2006. A Maria vai com as Outras é muito mais que um local comercial, e demonstra vocação de estrutura com apetência para variado leque de manifestações culturais, tais como exposições, eventos de música, cinema ou teatro, dispondo para este efeito de uma cave. A livraria é, porventura, o ponto que destaca o espaço dentro do fenómeno da Rua do Almada. No interior da loja é também possível encontrar uma cafetaria.

555


Inaugurado a 05-05-2005, esta foi a combinação chave por detrás do nome atribuído a este espaço, somado ao facto de ocupar idêntico número residencial na Rua do Almada. A casa em questão, outrora uma carpintaria, foi reabilitada após sete anos de absoluto esquecimento. Em poucos meses, o 555 adquiriu o seu peso na cidade pela capacidade de intervenção cultural que veio oferecer ao Porto. Um conjunto de múltiplas divisões abre as portas a um rol alargado de actividades no espaço 555, e com muita regularidade podem-se apreciar exposições ou sessões de cinema, ou ainda assistir a workshops. A vertente de animação nocturna também entra nos objectivos da Direcção da Associação Concepções sem Pecado, a quem pertenceu a ideia do projecto 555 na Rua do Almada. Música variada e diversos dj’s convidados costumam dar vida às pistas distribuídas pelas inúmeras salas de um espaço, que, pontualmente, está também destinado ao acolhimento de alguns concertos. Cafetaria e bar completam o leque de opções disponíveis na 555.

Retroparadise


Após algum tempo sedeada no Bolhão, a Retroparadise foi a primeira loja a marcar a diferença ao implementar-se na Rua do Almada, trazendo nova aragem ao comércio típico da zona. O avanço da Retroparadise consumado em 2001 serviu de estímulo a todos os demais que vieram a estabelecer lojas alternativas na Rua do Almada. A roupa continua a ser, sem dúvidas, a imagem mais forte que transporta para o exterior, recuperando peças absolutamente raras de vestuário vintage, revivendo a história à luz da indumentária própria de cada época. Na Retroparadise tudo é reciclado e os estilos são renovados mediante uma estética muito particular, capaz de atrair públicos completamente diferenciados. Além da roupa, a Retroparadise sempre se destacou na oferta de uma vasta colecção de vinis, que percorrem os mais distintos géneros musicais, tais como o blues, o rock’n’roll, soul, jazz e música psicadélica, bem como música portuguesa ou brasileira.


Conteúdo recuperado de uma reportagem exposta no primeiro site da Audiência Zero - www.audienciazero.org/eixo. A Rua do Almada continua em alta e desde este trabalho nota para a mudança de local da Louie Louie, agora uns metros mais abaixo, dividindo espaço com a Embaixada Lomográfica. No seu sítio aparece agora a Inktoxica Tattoo, inaugurada o ano passado por Óscar Gomes,em acto que coincidiu com a realização da segunda edição de 'Alma na Rua'.

Reportagem realizada a 18 de Maio de 2007

Texto: Pedro Cadima
Fotografia: Daniel Bento