21 de fevereiro de 2012

Jon Spencer Blues Explosion no Hard Club


Há regressos e regressos, pois este de Jon Spencer Blues Explosion, banda que poderia viver da autoria de Bellbottoms, legitima uma reacção fervorosa dos múltiplas fãs espalhados por Portugal, que nos últimos tempos apenas tiverem ensejo de se deliciarem com as actuações de Heavy Trash. Jon Spencer Blues Explosion combina todos os ingredientes do rock'n'roll, do espírito blues às descargas selvagens e barulhentas que tão bem tipificaram este banda nos seus concertos, em especial ao longo da década de 90 marcada pelos lançamentos de "Extra Width" (1993), "Orange" (1994), "Now I Got Worry" (1996), "Acme" (1998). Em 2000 vieram a Portugal a uma Queima das Fitas de Coimbra e fizeram faísca, convocando de todos os que estiverem presentes memórias infinitas e absolutamente fascinantes. As actuações em Portugal estão marcadas para Porto (14 Março, no Hard Club) e Lisboa (15). Este pode ser considerado um dos grandes espectáculos do ano, em teoria, lembrando o poder e a destreza visceral de uma banda liderada pelo carismático Jon Spencer, fundador dos Pussy Galore e um guitarrista que será reconhecido por um som frenético e incisivo, acelerado pelas influências punk e rockabilly. O esplendor vivido pela banda nos noventas influenciou inúmeros músicos, com particular ênfase para White Stripes, pelo que é da mais elementar justiça citar Jon Spencer Blues Explosion como profetas de uma doutrina musical verdadeiramente apaixonante, com amplitude caótica e catártica, homenageando lendas do blues e do punk. Plastic Fang (2002) e Damage (2004) foram os últimos trabalhos de uma banda, que parou e que agora se reagrupou contemplando justamente Portugal neste regresso à actividade. Os bilhetes para o Hard Club vendem-se a bom ritmo e custam 18 euros.

Ed Wood no lançamento da 32ª edição do Fantasporto



O Fantasporto aquece os motores para a 32ª edição, que conhece sexta-feira abertura oficial com a exibição de Shame, de Steve McQueen. Até lá, desde ontem, estão em cartaz filmes de culto, cujo destaque maior assenta na filmografia de Ed Wood, considerado o pior cineasta de todos os tempos, que de tão sinistro e rudimentar se tornou uma lenda, dotando épicos filmes de monstros com um sui-generis toque humorístico e de interpretações absolutamente irresistíveis dos seus atores predilectos como Bela Lugosi ou o lutador sueco Tor Johnson. Pelo Grande Auditório passaram The Bride of the Monster, Night of the Ghouls, Plan 9 from Outer Space, Glen or Glende e Jailbait, filmes de baixo orçamento com efeitos especiais muito duvidosos. Os clássicos Nosferatu e Drácula de Bram Stoker também foram apresentados. Esta noite será também apimentada de humor negro no Pequeno Auditório com a exibição de Meat, a fazer lembrar o aclamado Green Butchers, premiado no Fantas em 2004.
O festival decorre até 4 de Março, dia para serem vistos e revistos todos os premiados. O encerramento mais pomposo celebra-se com o habitual Baile dos Vampiros no dia 3, este ano desviado do Sá da Bandeira para o Hard Club.

Meat” podia ser a sequela de “The Green Butchers”, o filme vencedor da Semana dos Realizadores do Fantasporto e do Prémio Meliès D’Or em 2004 (Melhor Filme de Cinema Europeu Fantástico). Um humor negro cortante e um argumento louco e sádico, fazem deste filme uma delícia imperdível, e não estamos a falar de costeletas! Só parece um talho normal ao início. Cedo se começa a perceber que a carne tem um aspecto animalesco. Este talho não tem muitos clientes, é mais um mundo de fantasia, um asilo onde o homem do talho pode viver as suas fantasias sexuais.

15 de fevereiro de 2012

Muck & the Mires e Thee Gravemen em Leon


FIESTA DIRTY WATER RECORDS EN LEÓN!!!

O selo londrino Dirty Water promove uma super festa em Leon, cidade que respira garage à moda dos sessentas. Os concertos estão marcados para o Pub Valentino, habitual clube nocturno de alterne, que se mascara frequentemente de paraíso musical de vocação pura e dura de rock'n'roll. Este sábado, celebrando o carnaval, a aliança será feita entre os norte-americanos Muck & the Mires e os suecos Thee Gravemen, que prometem uma noite espetacularmente animada e divertida. Depois dos concertos a festa prosseguirá no Woodstock com uma excelente equipa de djs.

Muck and The Mires+ Thee Gravemen
Sábado 18 de Febrero Valentino´s club
7 euros+ dos copas, 10 euros+ dos copas
P.venta : Mongogo,Elektra,Plan B,Miserias
Al acabar sigue la fiesta en el Woodstock,con AMALIA MEDUSA,MIKE MONGOGO y CARLITOS YUGUEROS a los platos.
Fiestooooooooooooonnn!!!

4 de fevereiro de 2012

Shame na abertura do 32º Fantasporto


Shame, do aclamado e premiado Steve McQueen, realizador em 2008 de Hunger, é destaque na programação da 32ª edição do Fantasporto, estando a sua exibição reservada para a abertura oficial a 24 de Fevereiro. O filme, protagonizado por Michael Fassbender, que repete aliança com carismático e multifacetado realizador, e Carey Mulligan, move-se na natureza do vício e do impulso sexual. O entretenimento em redor do Rivoli no Porto está garantido a partir de dia 20, alongando-se o festival até 4 de Março com mais um cartaz notavelmente engenhoso e potente em tempo de crise. O terror e o fantástico alimentam a atmosfera do Fantas. No plano das homenagens e retrospectivas estão anunciadas as seguintes: António-Pedro Vasconcellos, Karen Shakhnazarov (russo premiado em 2010 com Ward Number 6),Alain Robbe-Grillet, Ed Wood, isto além de um tributo aos 30 anos de Blade Runner, obra prima de Ridley Scott e um prémio carreira ao britânico Mike Hodges, vencedor no Fantas em 1990 com Black Rainbow. O festival tem guardado para a cerimónia de encerramento a exibição de 'This Must be the Place' de Paolo Sorrentino e com participações no elenco de Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch e Harry Dean Stanton. Mais uma vez brutal na transformação visual, Sean Penn encarna desta feita um músico que deixa tudo para acompanhar as últimas horas de vida do pai. De resto, o Rivoli será palco de uma enormidade de filmes para ver, ao velho estilo do Fantas salpicado de sangue, suspenso em mistérios, absorvendo os seus fãs num torturante terror psicológico. As competições são as do costume: Cinema Fantástico, Semana dos Realizadores, Cinema Português e ainda Premiere/Panorama.

1 de fevereiro de 2012

Tributo a Cramps para incendiar Armazém do Chá



Lux Interior e os Cramps merecem este sábado tributo em pleno Armazém do Chá, dois anos passados sobre a morte do carismático vocalista. Os The Crushers formaram-se para a ocasião com quatro músicos altamente rodados do Porto. A noite completa-se com A Boy Named Sue.
Erick Lee Purkhiser ou melhor Lux Interior, um dos melhores performers que existiu dessa forma arte absurda que é o Rock’N’Roll morreu há 2 anos. Com ele morreu uma das bandas que mais contribuiu para o imaginário do género, uma banda que sem querer criou um subgénero (o psychobilly) sendo muito maior que as fronteiras desse subgénero – The Cramps.
A banda foi fruto do encontro de Erick com Kristy Wallace (também conhecida como Poison Ivy) que se conheceram na primeira metade da década de 70 na Califórnia. Depois de muita conspiração e muitos ácidos rumaram para Nova Iorque, onde a banda ganha projecção integrada na efervescente cena associada a clubes como o C.B.G.B.’s e o Max Kansas City que fez despoletar movimento punk antes dos ingleses saberem o que isso era. A sua música era uma mescla marada de rockabilly, psychadelia, surf e garage dos 60´s; Lux Interior um Frankenstein bizarro que rugia como um lobisomem, encharcando as suas performances psicóticas em vinho tinto; The Cramps uma banda com um imaginário único construído com voodoo, humor negro, horror kitsch de série B e sexo perverso.
Com elementos a entrarem e a saírem, Lux e Poison Ivy mantêm os Cramps em actividade mais de 30 anos, gravam 13 álbuns de originais e mantêm um nível de qualidade invejável ao longo desse tempo até ao fim. Lux Interior morre em 2009 ao 62 anos (para quem os viu nos últimos anos ao vivo será difícil acreditar que o homem tinha essa idade).
The Crushers constituidos por:
Pedro Moreira - Voz
Oscar Gomes - Guitarra
Nuno Silva - Guitarra
Ivo Guimarães - Bateria
Serão a banda de serviço a prestar o devido tributo.
Depois do concerto a música estará a cargo de DJ A Boy Named Sue. Os seus sets caracterizam-se por uma forte vertente rock 'n' roll, nos quais visita sonoridades soul, funk, rhythm and blues, garage e punk rock ou new wave, uma espécie de máquina do tempo que cria laços entre os grandes clássicos e as novas tendências da música contemporânea. Playlists ou sets pré-definidos não têm espaço neste universo caracterizado por ambiestes dançaveis e festivos, intensos e imprevisíveis, recheados de hits do passado e do presente. Sinal dos tempos ou desígnio dos Deuses, A Boy Named Sue baralha e volta a dar a História da Música Popular, sem quebras de ritmo nem tiros no escuro, como só um verdadeiro mestre de cerimónias é capaz.
O bar será dominado pelo hip-hop com Spot e Godzi a trazerem desde os clássicos aos novos upfronts do género.

18 de janeiro de 2012

Club Garage esta quinta no Radio


Encantador ou depravado, convidativo ou incendiário, o Club Garage tem ordens pelas que se rege e no seu raio genético está gozar a fama que o precede e oferecer as melhores vibrações à pista, com muito rock'n'roll de todas as épocas em descargas desalmadas de ruído,de su...jidade elementar a instrumentais arrebatadores.Estão, como tal, todos convidados para um banquete sonoro de surf, garage, psych beat, r&b, hammond grooves e outras ousadias excitantes.

17 de janeiro de 2012

Fat Freddy em novo ponto de partida


Regresso que se saúda e deixa imaginar novo embalo vertiginiso pelas estradas do ruído, pelas pistas da imaginação num mundo de ficção e fantasia musical com nítida colagem surf e ousadia experimental. Os Fat Freddy pararam e andaram por ai envolvidos noutras coisas e agora retomam actividade com o seu trio brilhante (Pedro Ferreira, Xinas Leite e Nuno Serafim) numa combustão fremente de bateria, guitarra e baixo, deambulando em território terreste e um paraíso fantasmagórico de sons e imagens. Depois de uma primeira aparição no Maus Hábitos, desta feita espera-se um ambiente a fervilhar com a presença dos Fat Freddy no Armazém do Chá. Acontece esta sexta-feira, dia 20, numa noite que pede abusos e também é temperada pelas escolhas musicais de A Boy Named Sue.

28 de dezembro de 2011

Parkinsons levam Porto para 2012



Um concerto dos Parkinsons está marcado para dia 31 no Porto, na festa organizada a meias entre a Garagem e a Yellow-Stripe, que tem como casa o imponente, estimulante e bem sonoro Teatro Sá da da Bandeira. Afonso Pinto na voz, Vítor Torpedo na guitarra, Pedro Chau no baixo e agora Kaló, na bateria, alimentam esta furacão primitivo de rock'n'roll, de corpo cheio, suor imenso e loucura plena, que arrebatou Inglaterra quando emergiu no underground londrino. Depois de terem regressado com pujança máxima e o carisma de sempre aos palcos em 2011, fecham o ano com mais uma actuação a não perder, seguramente regada de todos os exageros possíveis. Em comum têm todos um passado nos Tédio Boys e uma destreza musical formidável que faz de qualquer um dos seus espectáculos um monumento ao melhor punk dos finais de setentas. A festa de ano novo no Sá da Bandeira terá diversos espectáculos e vários espaços envolvidos. A actuação dos Parkinsons acontecerá no Room 2, vulgo Estúdio Latino, seguidamente a concertos de outras bandas nacionais. EL Oscar e Kisto Kutabari são dj's de serviço dentro do punk/rock.
O Sá da Bandeira abre portas às 22h30 e encerra às 9 da manhã, garantindo diversão contagiante ao gosto do freguês. Os bilhetes têm custo por estes dias de 20 euros e no próprio dia sobem para 23 euros.

14 de dezembro de 2011

Grupaços galegos com novos trabalhos


Samesugas e Phantom Keys, dois dos grupos galegos mais bem sucedidos à sua maneira, estão de volta, em boa hora, às edições discográficas. Os primeiros com «They are Out There» certificam a sua pujança sonora, já patente nos singles apresentados nas redes sociais: Exploding Heart e o homónimo They are out There. O trajecto destes senhores de Compostela já não confere espaço para dúvidas e este disco confirma a coerência e fidelidade a um estilo que lhes valeu a conquista de fãs por toda a Espanha e mesmo em Portugal, onde actuaram diversas vezes. O punk/hardcore interpretado a toda a velocidade e no máximo volume é a expressão que une ALberte, Joaquin, Alex e Ramon, quatro amigos que abraçaram o projecto Samesugas há mais de 13 anos. Novamente debaixo do selo Lixo Urbano, o quarteto aspira levar o seu mais recente trabalho ao maior número de salas, estando na órbita um inevitável regresso a Portugal.
Relativamente a Phantom Keys resta aclamar e saudar o novo trabalho, um portento de garage rock bebido nos sessentas, devorando compilações como Pebbles, Back From the Grave, respirando a aura dos Pretty Things e dos Stones de 60'. De uma excelência europeia e já com difusão no Japão 'The Real Sounds of' é sem, ponta de dúvida, o ponto de maturidade de um grupo que amadureceu depressa fiel ao seu estilo e às suas ideias, reforçando o seu espírito punk. O disco já tem distribuição por Alemanha e Holanda também, sendo amplamente aguardado em Espanha, onde a banda tem apreciadores espalhados por todo lado, devido ao seu vibrante teenbeat, somado a um estilo e elegância desde sempre afirmados. Esta a composição de um album disponível para audição no site da banda: http://thephantomkeys.bandcamp.com/

1. I´m still a mess 02:27
2. Twisted neck 02:12
3. Even if i try 03:20
4. Evil Eye 02:30
5. My last mistake 03:03
6. The drunk chicken walk 01:52
7. Corn Likker 01:50
8. Don't tell me lies 02:44
9. Land (o) Beat 02:33
10. It's better girl 03:28
11. Poor boy 03:14
12. I was true (but I won't be more) 03:00

Thee Chargers já com disco


Uma dádiva de natal para os fãs, Os Thee Chargers com Oscar Gomes (guitarra), Nuno Gomes (bateria), Filipe Leite (guitarra) e Nuno Silva (baixo) e também Pedro Serra, convidado na voz em Sinner Not a Saint, têm já disponível o seu primeiro avanço discográfico, preenchido com três temas, primeiro deles já com direito vistoso a um vídeo: 1)Sinner not a Saint, 2)Rough Diamond, 3) Take it Off. A primeira é uma versão de Trini Lopez, enquanto a terceira é uma versão de Genteels. A banda concretiza um passo há muito ambicionado e que promete um 2012 ainda mais carregado de concertos, onde fazem realmente valer a sua destreza de músicos sintonizados com a corrente surf e garajeira. Quem quiser comprar faça favor de procurar chegar a contacto com os elementos da banda portuense, especialmente nas suas actuações. O cd fica ao preço de 3 euros mas há pacote de cd+t-shirt a 15.

13 de dezembro de 2011

Dennis Hopper para ver em Guimarães


O arrojo fotográfico de Dennis Hopper, excepcionalmente desenvolvido na década de 60, está patente ao público numa deveras apreciável exposição no Forum da Fnac Guimarães, que resulta de uma parceria com a Taschen, editora responsável pela compilação em livro do trabalho do carismático e genial actor por detrás da objectiva - Dennis Hopper Photographs 1961-1967. Alguns dos retratos mais famosos do multifacetado artista, brilhante actor, realizador, fotógrafo, pintor, escultor e poeta podem ser admirados até 19 de Janeiro, primeiro como extensão da sua própria vida cinematográfica, homenageando ícones como Paul Newman, Jane Fonda, Elizabeth Taylor, Natalie Wood ou James Dean com quem contracenou na sua estreia em 'Rebel Without a Cause', depois como explicação do seu raio artístico, na comunhão de vivências com Andy Warhol, ou também com inegável intervenção na sociedade, captando a história ou parte dela, como o comprova o fulminante olhar aos discursos de Martin Luther King. Para lá de tudo isto e fazendo uso permanente da sua máquina como instrumento de arte não deixou escapar a agitação das auto-estradas de Los Angeles e das ruas de Nova Iorque. Uma visão com amplitude e técnica muito própria.
Esta exposição foi pensada para render mais um tributo a Dennis Hopper, tristemente falecido o ano passado. Será para sempre lembrado pelo seu denso envolvimento nessa obra prima Easy Rider bem como um rosto incontornável da contracultura. Entre muitos impactantes desempenhos destacam-se os Apocalypse Now ou, o mais exuberante, de Frank Booth em Blue Velvet. Um dos magníficos de Hollywood.

7 de dezembro de 2011

Purple Weekend dos Buzzcocks e da revelação Frowning Clouds

















O Purple Weekend tributa o esplendor dos sixties e faz literalmente recuar no tempo cada um dos seus apaixonados, entretendo e viciando em cada detalhe, arrastando consigo a expressão de uma época disseminada numa colecção de imagens irresistíveis. O calor musical contrasta com o frio que domina Leon, nada melindra a reputação de um festival consagrado em 24 anos de vida, que conhecerá pela vitalidade demonstrada este ano o 25º aniversário em 2012. De grupos promissores a outros graúdos e cimeiros cozinhou-se um bolo delicioso e bem recheado. Buzzcocks com a força dos seus hits e a proeminência na cena punk, foram alavanca para uma edição absolutamente esmagadora, vitaminada por bandas variadas e realmente valiosas, público vasto e comprometido e acertadas propostas complementares, isto já para não falar da própria aragem de uma cidade monumental, artisticamente crescida e atrevida, gastronomicamente suculenta na imensidão de cafés, bares e restaurantes que emergem no seu movimentado Bairro Húmedo, dentro de Leon Gotico, retratado na sua brutal catedral e na intervenção do mestre Gaudí. Ainda para mais decorria a Feira das Tapas...
Impressionante a fresca regeneração do Purple Weekend em 2012, sofisticado, escaldante e sedutor, abraçando o seu público com propostas insuperáveis. Foram os Buzzcocks a garantir uma enchente na última noite, os Frowning Clouds a escreverem uma nova era no garage ou os Masonics a plantarem em palco uma atitude de excelência, de vigor e de punk rock acertado em cada impulso, olhar, acorde. Outros históricos como Barracudas, Lambrettas ou Roy Ellis, este acompanhado dos galegos Transilvanians, ajudaram a multicolorir e animar o ambiente.
Perfeitamente enquadrados no habital do Purple, os austríacos The Jaybirds, autênticos senhores, encarnaram a difícil sucessão em palco dos australianos Frownind Clouds, meninos que dificilmente passam os 20 anos. A competência e estética dos primeiros, mergulhados na onda freakbeat, levando a bom porto igualmente um fluido rhythm & blues, foram ao encontro da aura do festival, mas o impacto constatado na actuação dos segundos foi marca e perfume desta edição.


O grupo de Melbourne encadeou os seus temas com uma energia contagiante num frenesim garage digno das melhores comparações com pérolas das compilações Pebbles e Back from the Grave. Dotados e talhados para cintilarem a sua estrela durante anos a fio, eles conjugam autenticidade, simplicidade e pleno divertimento no palco, munidos de um som desbravado e esmiuçado nos sessentas e toda uma excelência vintage ao nível dos instrumentos, de fazer inveja. A Leon, encerrando a sua estreia europeia, vieram apresentar o single 'All Night Long', um estrondo de canção, que gruda no ouvido e arrebata ao primeiro contacto, que sucede ao album 'Listen Closelier'. Agarraram facilmente a plateia e ainda viram o retorno na compra de inúmeros discos, que desfilavam por todo pavilhão como relíquia para toda a vida.


As emoções cresceram na segunda noite, que até tinha cartaz, à priori, menos flamejante. Na primeira ainda houve o encanto de ver em palco o histórico Roy Ellis, cheio de diabruras, bailes, espargatas e cambalhotas falhadas, emprestando energia, humor e estilo a uma actuação assinalada com alguns dos seus temas emblemáticos. Fecharam os Barracudas, acompanhados de Chris Wilson (Flamin Groovies) na guitarra, pesos pesados que eclodiram no final dos setentas, conciliando e estimulando a ligação garage/rock e punk/surf. 'I Want my Woody Back' ou o contraditório (nesta altura do ano) 'Summer Fun' entre outros temas com chamariz, fizeram o público dançar, cantar e entrar em êxtase.
Para além dos concertos mais desejados guardados para o Pavilhão CHF, o Purple Weekend tem a vantagem de manter o festivaleiro entretido praticamente todo o dia, levando concertos ao Gran Cafe (15 horas), seguidos de imperdíveis Alldayer's, capazes de gerar danças frenéticas, ao som de alguns dos melhores dj's e coleccionadores de soul, beat, psych ou garage de Espanha. Por lá passaram bandas como Go Freaks ou Extended Plays.


No pós Gran Café, o centro de acção desviava-se para o Espaço Vias, equipado este ano com o mercadinho oficial do Purple, com evidência para compras de vinil, roupa e acessórios vários enquadrados na cultura do evento. Em termos de concertos destacaram-se os sempre imparáveis Imperial Surfers, e também os Groovy Uncle e os Wicked Whispers. Estes últimos, ingleses, invocaram um som mais psicadélico e acabaram por ser amplamente gabados pela estética elegante que trouxeram ao Purple Weekend. Terá sido, aliás, o melhor aquecimento para o fechar de actos no Pavilhão CHF, entre outras opções como as passagens pelo Gran Cafe ou Planeta Mongogo, que continua a ser referência para o ponto de encontro de gente da Galiza, mormente Ourense, Madrid, Leon, Astúrias, Barcelona, Valência e afins. Uma verdadeira casa de rock'n 'roll temperada com cozinha mexicana e um sabor picante inigualável e infindável.



Depois das nove da noite, os Masonics tomaram as rédeas e num ápice venceram a indiferença com um repertório garage beat vertiginoso e altamente primitivo, com raiva e estilo de mãos dadas, qualidade apurada na destreza de três músicos provenientes de projectos categorizados como Milkshakes, Headcoats, Kaisers ou Delmonas: Mick Hampshire, na voz, Bruce Brand e John Gibbs na secção rítmica.
Seguiu-se o culto mod alimentado pelos The Lambrettas, algo desgastados, ultrapassados mas, mesmo assim, deixando eufóricos alguns dos seus fãs mais fanáticos. E para encerrar o Purple Weekend 2011 uma das bandas com mais peso na história da música, mormente na definição do punk emergido em Inglaterra na mesma remessa de Clash, Pistols ou Damned. Os Buzzcocks com os originais Pete Shelley e Steve Diggle em dois acordes desde logo promoveram o caos na linha da frente. A carreira seminal desta banda coloca-a em lugar cimeiro e extremamente influente pela pujança do ritmo aliado a umas melodias que deixaram marca registada em temas como 'Ever Fallen in Love', 'Breakout', 'Harmony in My Head', 'What do I Get', 'Promises' ou 'Orgasm Addict'. Entre os saltos de Diggle e o profissionalismo de Shelley e a loucura da assistência, a banda de Bolton arrasou e ofereceu um estado de graça ao festival.


Não podia ser melhor lançada a terceira e última noite de dj's na discoteca Oh Leon!. Uma pista em pura fantasia e delírio, gritando e dançando com elegância e charme, sentindo e desfrutando do freakbeat ao psych, do soul ao rhythm & blues, além da emoção e entrega justificadas por descargas mais garageiras. Pena foi que ao contrário de outros anos não estivessem em permanente funcionamento as duas pistas que cabem no espaço. A festa ficou sempre concentrada no andar de baixo e poucos se atreveram a arredar pé da pista (só mesmo para fumar no exterior). Cumplicidade brutal, penteados cuidados, colorido abrasivo no vestuário à moda do espírito dos sessentas numa alegria de símbolos estéticos de uma época muita saudada e dominante na mente de todos que ajudaram a tornar ainda mais forte este Purple Weekend, marcado por uma extraordinária afluência, cifrada pelo concelho de Leon em mais de 12 mil espectadores.


















Fotos de Felipe Hernandez (1- Buzzcocks; 2- Frowning Clouds; 3-Roy Ellis; 4-Imperial Surfers; 5-Barracudas)
Reportagem de Pedro Cadima